Não sei descrever sensações, principalmente aquela indescritível. A pior aflição é aquela que não conseguimos identificar, mas que no fundo sei o que é, e, não queremos adimitir. Vou tentar descrever.
Imagine um quarto, escuro e cheio de gritos, onde se escutam pensamentos, e, ao mesmo tempo que eles estão sendo processados estão se esvaindo... é realmente um quarto assustador. Agora existe no final daquela escuridão confusa, um ponto, uma brecha, uma estrela. Vou colocar melhor, uma fechadura que, como todas as outras que trancam quartos, brilha, um mísero ponto, no meio do breu. Parece que quando o som do quarto torna-se mais insuportável, e que quanto mais insuportável fica, mais desistente da vida ficamos, sempre aparece alguem com a chave desse maldito quarto. A chave é um beijo. Um beijo que dá a luz ao quarto, que some com os pensamentos dolorosos. Quem vem com o beijo e a luz, vem com o cheiro, e deixa o impregnado na roupa. Ah! Que beijo! O chamo de beijo divã!
Divã por que é como se saissemos de uma sessao com o analista, como se entregassemos os problemas ao grande beijo, na verdade, ao pequeno espaço de beijar.
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É nesse pequeno espaço que desabafo sem dizer uma palavra, que morro sem perder a vida, que me desligo do mundo mesmo que ele acabe, é nesse espaço que me deito no divã, sem ao menos deitar.
Felipe Sousa Cerqueira.