segunda-feira, 29 de março de 2010

Ser o amor

Pela primeira vez eu entro aqui sem saber o que vou realmente escrever, não sei se a partir daqui crio um personagem, para se tornar melhor o entendimento, ou se sou direto.
O personagem da vez é o mais presente em nossas vidas, que a gente sabe de cor, que o destino prega, pobre a gente! AMOR!
O grande personagem que inspirou os mais diversos autores e, até eu que sou uma pessoa(não sei se podemos chamar de autor) "clara" digamos assim.
A personificação desse sentimento eu não sei como farei(não uso rascunho pela primeira vez ao escrever um texto aqui).
A vida começa a partir do primeiro palpitar do coração, agora, pergunto a vocês leitores:
Quantas vezes isso vai acontecer na sua vida?
Em outros momentos a gente passa a brincar com os nossos brinquedos, depois passa a conhecer os colegas da escola(ainda com os brinquedos), até um momento em que o nosso unico brinquedo é a nossa propria vida, que a gente usa como um jogo de tabuleiro, jogando o dado para ver no que vai dar. Talvez esteja errado, mas quantos de nós não nos usamos nas mais diversas situações?! Sendo que nestas a gente pense no auto-controle?!
Eu respondo a vocês, como uma pessoa clara, que a culpa disso tudo, que geralmente a gente põe no amor depositado nas outras pessoas, é culpa de nós mesmos, que não nos amamos o suficiente para aceitar a perda do outro e blá blá!
Depois de meses fugindo da minha verdade, talvez da verdade do SER, que é amar.
A certeza do precipício, é o medo de sofrer, do estar, do sentir, que hoje é morto, assim como o meu amor foi um dia!

Felipe Sousa Cerqueira.

quarta-feira, 3 de março de 2010

II

As coisas agora se descomplicam na mesma velocidade em que se complicam novamente e discorrer sobre saudade, ausência e solidão faz doer muita coisa em mim. O tempo do próximo passo em falso está sendo cronometrado em qualquer relógio vagabundo no pulso do destino e eu, vestido com esses trapos da condição humana, simplesmente sigo em direção a próxima queda do próximo abismo, irracional como um cão e como todos os outros.
Enquanto eu brinco de hoje, um amanhã qualquer é esboçado no pano do vão com nanquin e no palco do agora em mim, alguma representação medíocre de um texto de Caio Fernando Abreu se desenvolve lentamente, como uma tortura com qualquer finalidade doentia. Repousam ainda, em meus olhos, as últimas imagens relevantes que se repetem numa montagem privada, toda minha, e eu, como único e doentio expectador as repito, tentando encontrar no meio de toda essa parafernália - todas essas sensações cotidianas como sabores, cheiros e sons que aderem a minha existência como pequenos suvenires – alguma imagem que me remeta àquele antigo espaço de tempo onde eu realmente me sentia vivo, seguro; onde eu realmente sentia meu eu.
Me perco agora por entre essas colunas de marfim que se estendem imponentes em meu peito, me perco nesse hiato e canso de me perder. Não descanso, pois foi o que me sobrou desde que tudo em mim desvaneceu, virou cinza e não existem essas tais aves mitológicas, que dramática e significativamente ressurgem das cinzas. Existe apenas eu e todo o resto da humanidade, tentando encontrar um motivo razoável para continuar martelando os dedos em vez do prego.
Kauam

Espiga de milho loiro

Espiga de milho loiro,
Adeus fraternidade,
Não fazem sentido às palavras,
Mas são escritas com saudade.

Qualquer coisa à toa
Ressoa do ventilador de teto,
Não faz também muito tempo
Que eu perdi o chão e o tato,
No ato,
Na coisa racional,
Criada nesse hiato.

Azedo como limão,
E doce como beijos fresquinhos,
Agosto nem sempre trás desgosto
E eu sinto,
Antes de novembro,
Me deixaras sozinho.

Num vinho,
Vendo todo pequenininho,
Com o coração desfeito em caquinhos
E uma música bem dolorida
Rasgando a madrugada,
Tocando no radinho.

Não adianta planejar,
Não vale a pena me apaixonar
E nem gastar o francês
Com poesias de Baudelaire,
Eu sei que no fim de tudo,
Não restará nem mesmo o sonho,
Só eu, tristonho,
Cantando Caetano.

Kauam