quinta-feira, 24 de março de 2011

Quase nunca. (momento vago)

Em um estranho momento sinto saudade de um domingo, vago, calmo, sujo de ressaca. Quase nunca sinto isso, é só a estranheza de a séculos estar embutido em mim. Parece que no fundo, antes do amor que me fez esquecer outro, e assim por diante, sempre houve você, em nossos momentos vagos, estando sutilmente ao som do violão que deixei de tocar pra você, as declarações que merecia e não fiz, a chuva que não eternizamos com nosso beijo, tudo em um vago momento antes de conhecer um amor qualquer que despedaçou meu coração.
Mas assim, festivais começam e terminam até o dia em que beijamos a primeira vez, aliás com aquele mesmo tom vago, calmo, e bêbado. Quase nunca sinto isso. Quase nunca impeço alguém de proferir palavras. Quase nunca estamos juntos. Quase nunca momentos são inesquecíveis. Quase nunca direi que amo você.

Felipe Sousa Cerqueira.

terça-feira, 22 de março de 2011

Meu bem

O vento subiu a serra e ao descer trouxe você aos meus braços. Uma história antiga e a muito guardada. Por você, talvez, esquecida. O tanto que espero que esse mesmo vento traga, no tom da tua voz, doce, me chamando de meu bem, sei lá, vindo algo sutil, sempre será sutil.
Ah! O bem que me faz, se quiser fazer como quis chamar, seja um bem eterno para que nunca me esqueça, e nunca deixe ninguém, além de você, me chamar de meu bem. Meu bem!

Felipe Sousa Cerqueira

domingo, 13 de março de 2011

Posfacil de feriado

As histórias sentidas, vividas de momentos unicos, absurdos, com a pessoa errada. Quem me dera, e ainda tento, faze-la ser a certa, só para eternizar momentos unicos em nossas vidas, que para mim são mais importantes do que palavras ditas em vão.

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E tudo parece noite. Todos os dias desde a primeira noite me pareceu uma coisa só. Apenas a luz das estrelas, e a promessa de que veriamos o sol juntos, sem aquele teatro do destino e mais os meus blá-blás sentimentais enrustidos em masculinidade. Enfim, tudo me pareceu noite. Nada ali era verde ou cor de rosa, apenas os riscos dos teus cabelos e o brilho da tua boca tinham cor exata. Coloriam a noite, o meu momento de ver-me e a película do nosso retrato. Pausas, vozes, risos. A agonia de ter uma noite eterna. Eterna solidão. Nunca vi um anjo que me dissesse que eu sou realmente, evidentemente, com todos os meus carinhos e carência, solitário. Sou só eu, querendo ter um momento de felicidade. Esta, se existir, dura pouco.

Felipe Sousa Cerqueira.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Teatro de estrelas

Quando mar beija a areia, ela não corresponde tanto,
o chão quando é iluminado de estrelas, tem o mais bonito céu.
Com toda revolta as ondas surram as pedras, que soltam o fél,
mas suas lágrimas são lavadas, pelo agente que causa seu pranto.

Por um momento, como um ato, uma estrela cai,
e não tira o sossego das outras atrizes do espetáculo.
Esta primeira cativa outra estrela, que sai,
elas chamaram a um momento, e previram como um oráculo.

Então a ultima estrela rebelde, risca o céu com ar de revolta,
e no desenrolar dessa história, a tua boca à minha toca.
E um musical é feito, como uma seita impura do ar que canta,
mas sua clara voz nada me diz, nada me completa, mas encanta.

E a sereia vai embora, com seu busto perfeito, seu olhar de ressaca,
o seu cheiro na manga da minha camisa que a minha inspiração fez
sabe o que senti, e quando verei o teatro mais uma vez.

Felipe Sousa Cerqueira.