segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Rua da Lembrança [7] (FINAL)

Na varanda, conversavam, atrás deles a casa estava completamente vazia, ouvia-se o som dos ventos e da maré que quebrava-se nas rochas não muito longe dali. Ao pé deles estavam duas árvores, que impediam a visão total do horizonte, tudo escuro, era assustadora a sensação, como se estivessem no meio do nada, que o nada fosse infinitamente confuso, cheio de agonia sentimental, romântica! Digamos assim leitor.
O som dos mares ia cessando, as palavras e assuntos iam se extinguindo, até que mais uma vez o silêncio reinou, só que esse era diferente, era do acaso que reinava, cheio de pensamentos, de ambas as partes, que se definiam, ele, por um dia ruim e cheio de ‘estranhicies’, e ela pelos planos mal sucedidos. A partir daquele conjunto, depois da noite de pensamentos melancólicos, algo de mais estranho viria a acontecer, a lua se mostrara por entre as folhas das árvores, o cenário agora era de ópera, onde a natureza conspirava a favor dos nossos dois amigos, e tocava uma musica suavemente linda.
O vento gelado cantava num lugar que sempre pareceu o purgatório. As ‘estranhicies’ não foram embora, os cães começavam também a cantar, até ali o nosso Alfredo e a nossa Sinhá eram só amigos.
O rapaz pegou em sua mão, apertou como quem diz "somos atores da ópera da vida", o toque foi levemente suavizado, e então o ato mais estranho e mais belo da noite aconteceu, e não foi a mãe natureza quem fez.

O beijo!

Viajou em uma escuridão de pensamentos puros, os quais nunca tinha tido na vida, era como não deixar de cair de um precipício, no instante em que aquele tão sonhado afeto terminou, foi como se a queda acabasse em um mar de algodões perfumados com o cheiro da Sinhá, sentiu-se intensamente anestesiado.
Estranhamente lindo.

FIM.
Felipe Sousa Cerqueira.

Rua da Lembrança [6]

Aquela noite estava turva, lembro-me apenas do momento em que o futuro casal percebeu a beleza da lua, crescente! Como o sentimento que em algum momento nascera e que ali crescia, a lua parecia um sorriso, torto e tímido, que escondia as intenções do nosso herói, intenções que eram das melhores possiveis. Que mal há em revelar um sentimento que nunca sentiu?

Tudo girava em torno do casal, passaram em frente a um restaurante, dessas budegas boêmias que se encontram por ai, era torta, sombria, lá dentro uma musica melancolicamente linda tocava:

- É incrível como a vida nos escreve, dentro desse silencio que reinava estão escondidas muitas coisas que é melhor não se dizer. Disse a Sinhá, em sua primeira atuação pública de afeto para com o nosso amigo. Ele redarguiu:

- Que bom que a vida nos proporciona isso, sendo assim, eu não preciso revelar o que eu tenho a revelar, deixarei que a vida te diga isso. Um silencio, que durou os três maiores segundos da vida do nosso romântico, reinou!

- Você deixa tudo muito subentendido, e ja faz tempo que ela revelou isso a mim, meu querido. E eu, não preciso nem te revelar nada também não é?

- A senhora Vida me disse muita coisa também! Abraçaram-se.

Felipe Sousa Cerqueira.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Rua da Lembrança [5]

O sol cobria a serra, estava lindo. No céu, o vermelho do vestido, o sol dizendo ao nosso herói, Adeus!
Entrou na casa, a Sinhá havia saído, a saudade não o abatia mais, mas tinha um sentimento, começava a vontade louca de conta-lo a ela, o medo o afligia, olhou uma mesa de centro, e decidiu, "vou fazer um bilhete".

"Minha Sinhá, a tempos que venho tentando te revelar, algo que foi melancólico e assassino, na época em que as pessoas morriam de amor.
Hoje eu te digo Sinhá, não só por você me fazer tão bem, mas pelo fato dos seus olhos serem tão 'encantadores', não sei se essa seria a palavra certa, mas, vamos ao que interessa.
A paixão toma conta de mim Sinhá, ela é cega, me proporciona a visão da sua visão, onde, qualquer olhar dócil o bastante pode ser um pretexto para achar que esse sentimento é recíproco.
Eu posso estar errado, mas me entenda, dama de vermelho, dê-me uma chance de te mostrar, e eu serei o que você quiser, e se não quiser, eu serei alguém que você passará a querer, mais e mais.

Com todo o sentimento ainda engasgado...
Alfredo"

E foi assim que o nosso herói tentou revelar o seu segredo...

Felipe Sousa Cerqueira.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Conversa para toda a vida (a volta de Fernando)

Diálogos como este demoram uma vida para acontecer, é, talvez este seja o dialogo da vida, para uma vida inteira.

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Chegou a sua casa, iam sair, Fernando não sentia recentimento algum apesar da historia que traçara com essa garota. Estava pensando no tempo que perdera longe dela, pulemos essa parte, a historia é chata, vamos ao diálogo.
CHEGOU! Se comprimentaram com ar de relações públicas, quando iam tomar o caminho da rua, Fernando puxou-a pelo braço, como essas cenas, do amor mais dramático, de novela mexicana, olhou-a fixamente nos olhos, e beijou. "Doce Alice, minha doce Alice" pensava tão forte, que o seu coração palpitava por algum perdão sem motivo.
- Você é a melhor de todas, disse ele com os olhos tão penetrados aos dela que se via refletido nos mesmos.
- Não estrague tudo.
- Você prefere que eu seja a criança de antigamente?!
- Não! Ela respondeu colocando a mão na boca de Fernando. Seja você! Você é importante para mim pelo que você é.
Se beijaram, e dessa vez, as lembranças não tiveram sucesso quando tentavam entrar na mente de Fernando e sufocar-lhe o sentimento.
- Eu preciso te dizer...
- Não!! Isso não, por favor, eu não posso ouvir, tenho medo de te fazer sofrer, que nem da ultima vez...
- Isso não vai acontecer! disse Fernando antes que ela começasse outro discurso daqueles que matam as expectativas. Nada vai ser como foi, nada, tudo muda, se renova, até o amor é capaz disso, o meu amor, o nosso, tudo que precisamos é sufocar o tempo, por que não temos nenhum para dar, temos só amor, isso que importa, e esse amor, é intransponível, é pra vida toda...
Calou-se, pelo beijo que ela lhe deu.

Felipe Sousa Cerqueira.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Rua da Lembrança [4]

Tudo era cinza! Estava sentado na varanda, onde a viu pela primeira vez, não sabia quando iria vê-la novamente, lembrou-se do som do bandolim, dos olhos, do vestido, estes pequenos detalhes sempre tornaram-se cúmplices da saudade, então apareceu de repente, a dor! Dor de esconder um sentimento, coisa que nunca tinha feito antes. Sempre era impulsionado a amar,
impulsionado pelo tempo, pelo acaso, agora era induzido a esperar, "pelo quê?" Não sabia ao certo, não sabia nem se estava apaixonado de verdade, "mas aquela saudade?!" Algo novo acontecia, sentia o cheiro da Sinhá em toda a Rua, até nos lugares onde nem a havia levado.
Sinházinha, se você me der uma chance para que eu te mostre quem eu sou, para que eu possa construir uma lembrança alegre nessa minha rua de poesia morta!
A tarde, os pensamentos de saudade, a confusão do sentimento, tudo, era propício para aquele pensamento tolo, é aquele instante- quando o sentimento se torna tão forte que transborda, em lágrimas ou em palavras- tolo! O nosso herói buscou no fundo da alma derrotada em saudades, o som daquela canção, era tudo o que tinha, além do cinza.

Felipe Sousa Cerqueira.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O Olimpo não foi feito para sonhadores

E novamente eu tapei os meus ouvidos para a razão, razão essa que se desfez em pó, borrando toda a minha face que antes guardava algum semblante alegre e ligeiramente inteligente, e agora é só o mesmo velho trapo de sempre. E não importa quantas portas e muros venham se chocar contra a minha cara lavada; de rosto dilacerado, dentes em frangalho e nem uma dignidade, eu me levanto e trilho alguma nova estrada torta sob o sol escaldante deste verão nordestino. Está impresso em meu sangue, é questão de DNA. Agora me sinto vazio – ou melhor, cheio de nada – como um álibi desprezado, feito de palhaço por um circo de horrores onde ninguém se respeita e todos são meio Judas. Isso, a imagem e semelhança de Judas: demasiado humano.
Enquanto tomo outro gole de café frio e tento conceber qualquer razão para toda essa parafernália sentimental guardada em meus porões, eu penso que não me sobra nada além de discos, dores no joelho, uma tosse seca que eu ganhei por esses tempos e a minha constante tentativa de não ceder a minha vontade de fumar. Eu me sinto fraco para dar à cara a tapa novamente; me sinto fraco pra trilhar qualquer coisa que os meus amigos chamariam de ‘sensata’. Sensatez não é pra mim – não mesmo. Seria bom, quem sabe, aprender a jogar menos fichas na mesa, a não me dar tanto, a não me iludir tanto, a não acreditar tanto naquilo que a humanidade quase não acredita mais, eu que nunca quis seguir linha de pensamento alguma, me vejo surpreendido por uma vontade brutal de me calar, me conter e ser só. Só, comigo mesmo, eu ficarei muito melhor. Muito.
Não me cabem atitudes desumanas, não me cabem nem um dos doze trabalhos de Hércules, o Olimpo não foi feito para sonhadores. Cabe a mim continuar aqui, no meu quarto cheirando a derrota, cabe a mim deitar em minha cama métrica e chorar por algo que eu tenha perdido antes mesmo de conseguir; cabe a mim continuar a ser humano e me desfazer da fantasia ridícula de semi-deus; cabe a mim ir até a cozinha e apanhar outra xícara de café, pra ver se eu acordo deste sono profundo.
Kauam M.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Rua da Lembrança [3]

A SÓS! Em fim, sós. Estavam num lago, não muito longe da casa, sentados na beira dum cáis, com os pés na água, nosso amigo olhava para baixo, a sinhá olhava fixo para ele, quando nosso herói levantava a cabeça, se deparava com um par de olhos que, tingidos de preto, o fazia cair dentro de si mesmo. Os olhos, ah! Os olhos:
-"São cais noturnos cheios de adeus".
Até que aquele pensamento combinou com o momento. Num instante qualquer exitou em beijar a sinhá, tudo era mágico e perturbador ao mesmo tempo, como a paixão, a explosiva paixão, só foi um exito mesmo. Coragem lhe faltava, a moça era misteriosa, vestia um vestido vermelho, como o sangue que fervia nas veias do nosso amigo, estava tudo perfeito para um primeiro beijo, a noite, os olhos, o vestido, VERMELHO!
Felipe Sousa Cerqueira.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Rua da Lembrança [2]

Naquela mesma casinha, na rua da lembrança, o nosso amigo pôs a primeira mobilha, era um quadro que pintara observando a sinhá, aquela que tocava a musica doce no bandolim. A vida a partir daquele momento se tornava mais alegre, como as vidas vividas antes nas mansões vizinhas, isso contaremos em outro capítulo dessa historia, falemos do quadro.
O quadro se chamava "O sorriso que mata minh'alma", era uma arte como outra nunca vista, o estilo era Imprecionismo, inprecionante! Como aquele sorriso enchia de luz a sala de estar da casinha, parece estar vivo! Alegremente anestesiado pelos olhos do nosso romântico pintor, que dava à obra o toque sutil de felicidade do momento em que recebera o sorriso da princesinha, esta, não o olhava muito, talvez por isso o nosso amigo quisesse registrar aquele momento de rara beleza, que enchia a sua alma de alegria, que dava a sua vida a mesma luz que a sala da casa recebia.


Felipe Sousa Cerqueira.

Amizade

Tudo que desejamos é aquele sorriso, o mais sincero que ja se ouviu falar, o mais belo que ja se pôde ver.
Aquilo, chamamos, amizade, o amor puro de uma criança misturado na eternidade dos fatos que marcaram nossas vidas. Amizade de eterno brilho, que é comparada a um cristal, frágil.
Hoje, olho uma fotografia, e esta inicia um filme sem fim, de momentos bons, de momentos ruins e de despedidas, filme que só fica guardado na lembrança, o que seria da nossa vida sem a luz da amizade?! Tudo que quero é um dia sentar-me em uma cadeira de balanço, como fazia a minha avó, e tricotar as lembranças dos amigos e amigas que deixei para tras.
Há, no tear da vida, falhas que podemos chamar de: derrota, angustia, tristeza, raiva, despedida, entre muitos outros sentimentos ruins, e quem ajuda a tampar estas falhas são os amigos e amigas desta e talvez de outras vidas.
A despedida mata um coração de saudade, mas a distancia nunca venceu o amor, o amor de amigo.

"A amizade sincera, é um santo remédio, é um abrigo seguro, é natural da amizade, o abraço, o aperto de mão, o sorriso, por isso se for preciso, conte comigo, amigo disponha, lembre-se sempre que mesmo modesta, minha casa será sempre sua, amigo"...

Para: Isadora Carvalho.

Felipe Sousa Cerqueira.