domingo, 15 de maio de 2011

E o que era areia fez-se mar. De todo o coração, ferido, comum, igual. Fez-se um espelho, onde a luz virá luzir a eternidade, essa nossa, escondida a tanto em nós mesmos. A luz não é um mero raio que aparece a esses apaixonados, é imposta, involuntária. Coisa que nunca acreditou-se anteriormente era que essa luz pudesse ser assim, pura, infinitamente breve, de uma calmaria tão confortável. E assim, dela, fez-se o ar, a claridade, a água molhando a areia dele, limpando a praia, com essa paciência de seguir meticulosamente cada passo de criar o sentimento. Cada detalhe embutido nesse ciclo é mínimo. Dela o ar, a luz, a água. Dele os cabelos, a pele, a areia. De ambos, o espelho, pois um é a cópia do outro, o lado positivo e negativo, o ing e iang, o claro e escuro, o mel e fel- um astro e o universo. Nada é mais tão vago, o destino voltou das férias, e trouxe na sacola: ela(unhas, pés, mãos, boca-a mais linda, mais desenhada- os olhos), ele(as palavras, a voz, o olhar de esperança). Então fez-se mar, como a poesia que escrevera sem saber por que, sem saber pra quem, pra ela, para ele, que sempre esteve ali, imagem e semelhança. E o que não se contam são os mínimos detalhes, as coisas poucas, simples, de que são feito os momentos, e são essas que ficam na lembrança, dela sai as palavras que serão guardadas cada uma como um grão de areia, nessa imensa praia.

Felipe Sousa Cerqueira.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Anjo da Guarda

"Santo anjo do senhor,
meu zeloso guardador,
se a ti me confiou,
a piedade divina,
sempre me rege,
me guarde,
me governe,
me ilumine.
Amém."

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Tu és meu anjo,
no meu choro anseei pelo teu colo.
Canto brilhante, na voz de um banjo,
que me ensinaste a andar por este solo.

O teu olhar, anjo, alumia a minha noite,
acordo, vou dormir ao teu lado.
Travo em palavras pra falar como foste,
sou teu único, primogênito, teu amado.

Desse amor, não tenho por ninguém,
elas teriam inveja da pureza,
esse amor é de um além.

Se sou forte, herdei a tua natureza,
do meu pranto, saem as lágrimas que canto,
pra dizer, TE AMO, TANTO.

12/05 - Aniversário da minha mãe.

Felipe Sousa Cerqueira.


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Um olhar, um sorriso

Um olhar desesperado, olha pra qualquer coisa que é meiga e singela, e vidra. Com a ilusão maquiada em acerto, aquele olhar vidrou num ser, um ser impossível de caracterizar. Foi tão doce o momento, tão puro, e a tua vontade era tão grande de encontrar algo esquecido em si, que falhou-se, o olhar. E o sorriso, na verdade era outro, trabalhado outrora, nas noites solitárias, belas, frias, sóbrias.
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Então, virou vento, era uma só lembrança, de um sorriso escondido em outro. E as noites já não são mais tão carregadas de solidão, há esperança, esta sempre espera com um sorriso, o seu. Aquele que não foi percebido de imediato, e sim deixado de lado por um simples pesar de ser igual ao meu olhar. Quando a doce madrugada rural invadia o sonho viria ele atormentar-me, com sua sonoridade simples, que me fez tocar de novo como nunca antes, que me trouxe a inspiração de amador, a qual busquei a muitas decepções atrás. Decepção, aliás, foi embora, assassinada pelo teu sorriso. Por que chegastes tão agora, vestida de anjo, só para o meu consolo. Me recriando, involuntariamente dentro desse sorriso, tão triste quanto o meu olhar, calibrando a minha esperança, de um dia sentir chegar aquele amor, de anjo, de dona, de tudo que já vivi e desejei viver. Sinto-me a poesia que escrevo, a música que toco, as palavras que pronuncio, o ar que respiro, o olhar que lanço. Perdido em sentimento impossível, retorno ao leito do mesmo, deito-me, choro, balbucio, sou eu, no espelho olhando o seu sorriso, preso, no meu olhar.

Felipe Sousa Cerqueira.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Minha poesia.

A minha poesia, quando escrita é rejeitada.
A minha poesia, quando lida é salvada.
A minha poesia, quando está é tristeza.
A minha poesia, quando foi é saudade.
A minha poesia, quando peco é amor.
A minha poesia, quando certa é o destino.
A minha poesia, quando esvaída é segredo.
A minha poesia, quando nasce é notícia.
A minha poesia, quando fujo é lembrança.
A minha poesia, quando chego é teu olhar.
A minha poesia, quando apago é para ser.
A minha poesia, quando perfeita é só você.

Felipe Sousa Cerqueira.

Flor do Amor

Flor da solidão, carrego em meu peito,
o teu apresso dividido em tuas pétalas.
Estas que não tenho tanto só,
mas um dia um bem-me-quer será feito.

E no bolso do meu paletó,
trago as canções tão nossas,
soltas e suaves no vento da vizinhança,
esperando o regar da tua lembrança.

E quando é noite, a lua alumia nossas conversas.
Quando é tardezinha, o sol busca lembrar-te em mim,
se falo algo sem medida, perdoa-me sou assim.

E versos escrevo para amenizar a minha dor,
de ser teu sem tu saber, de ser jardineiro.
De sonhar de amar tu, flor do amor.

Felipe Sousa Cerqueira.

Alusonhado!

O galo canta de manhã e a sua inspiração é natural,
de todas as poesias naturais que fiz original é a tua.
O meu peito em minha rua seca ao sol com um sal,
o teu, ao teu gosto, a minha carne segue fina e crua.

Suave o meu mel,
das noites, taciturno.
Amargo o meu fel,
da embriaguez, noturno.

Dissolvo a minha palavra no teu olhar,
escondido atrás da seda do teu véu.
Quando o olhar, teu, de anjo me levou pro céu,
acordei na cama de amar.

Felipe Sousa Cerqueira.

domingo, 1 de maio de 2011

Um tipo de mágica...

E há uma estrada única na vida, que leva a gente a um só lugar. Saio de uma rotina de ex-namoradas sociais todos os dias que acordo. Sempre volto a mesma encruzilhada. Olho a minha guitarra que outrora era o meu ombro amigo, olhando para ela agora em pedaços pergunto-me onde estão os amigos. Sempre volto à mesma estrada. Então aquele blues se torna tão forte quanto o gole de wisque de deixei de ter. Ainda está aqui, a minha guitarra amiga, quebrada, está o blues nos discos que perdi enterrando coisas no meu quarto, em cima da estrada. Ah! Os meus discos, se há algo que eu preze mais preciso descobrir logo o que é, para que eu possa quebrar e engolir os pedaços assim o meu apresso se tornará perturbador. Saio, respiro, respiro: breathe in the air...
O ar bate no meu rosto junto com a vontade musical de sair por essa estrada que olho agora, com minha guitarra em pedaços na mão, uma jaqueta e talvez uma camiseta que ganhei de alguém especial. O ar é ferino, arrepia-me os poros, faz nascer barba, velhice espiritual, paixões de uma noite, de um boato só. Volto-me aos discos, e a solidão é a doce música que um velho vivido cantou um dia, é coisa de uma engolir uma vida. O que não me vem a cabeça é a estrada, mesmice de sempre, como o meu sorriso falso para com as pessoas que fingi me apaixonar, como o sorriso que dei sem dizer o que sentia de verdade, porque essa estrada brutal me assusta tanto... E a falta que impede o sono de chegar, que dá à mão forças para levantar o copo, que dá ao braço vontade de quebrar a guitarra, os discos, as coisas novas. Onde está, nessa estrada, a vontade de dizer o que sinto de verdade, de novo, é terrível o medo de seguir, de amar, de sentir o ar sem a sombra da dúvida de estar amando. Porque não se arrepiar por causa de uma peça do destino, o que foi que vi em um sorriso que refletiu o meu olhar?! Esta sóbrio é um chaga agora, olhando da janela e vendo que tudo dará na mesma estrada, é um tipo de mágica.

Felipe Sousa Cerqueira.