terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Um dia um adeus"

Confesso que andei perdido, antes de ti, e depois me perdi em ti. Estando perdido, mantive-me seguro da certeza do ato. Seguindo as estrelas que deixavas pra mim, ou até as migalhas das milhares que colhias e destruias, ou antes da hora fecundavam-se e morriam sem a sua atenção. Depois mantive-me sereno diante das suas palavras duras, quando as ouvia, só prestava atenção ao seu tom de voz, veludo! Aquilo me acalmava, me deixava perdido, fora da razão, como sempre quiz estar, onde sempre quiz te levar, para o meu mundo, e faze-lo nosso. Então veio a onda, esta que levou a possibilidade de te ter, que fizestes com as próprias mãos sem ajuda alheia, sem o meu consenso, ou o da minha alegria, voltei a perdição anterior, fui quem fui, e vi que sendo quem sou, sou pior pra mim, mas melhor pra te esquecer. E nesse dia vi, que o adeus que vale mais, é o que vive na eternidade, que a cada eco, uiva a nossa história abrindo a minha ferida.

Felipe Sousa Cerqueira

Vago desejo.

Depois que a fada se foi o mundo mudou, as terceiras pessoas do plural começaram a aparecer com mais evidência, a perturbação das relações alheias começaram a se tornar vertiginosas, promovendo a culpa. O tempo passou num piscar de olhos, e em outra boca apagastes a nossa história. As lembranças se tornaram vagas, dentro de uma música ou de outra procura-se o seu sorriso, o seu bico, o seu ardor puro e secreto, o seu olhar, na música procura-se a corda do relógio dos meus dias, que pare apenas em uma mulher, que corra quando estiver longe, e que a distancia seja um pretexto de uma viagem, de um encontro. Parar um desejo tão puro, não deseja-se, tem-se, cala-se, ouve-se, em sua presença, cala-te boca! Deseje o empurrão da felicidade na sua vida, fada, no súbito desejo de amar e ser amada, como amei! Não sonho, não ouço a música que te traz a mim, sou só eu, vivendo a culpa de uma partida abrupta, de um erro amaldiçoado pelo destino, joguei o meu amor no lixo, mas estava acorrentado a ele, e me joguei, sem saber, também.

Felipe Sousa Cerqueira.