quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

À Cherí

Sabe Cherí, assim vou te fazer referências literárias, teu pseudônimo será este. Cherí. Então, entenda uma coisa, a cada passo, furo, partida, buraco, enfim, a cada momento da vida que vivemos por viver, e assim deixamos de praticar o verbo viver como deve ser, acontece o esquecimento. A perda da essencia da vida propriamente dita. Então lhe aparecem essas pessoas mágicas, meninos cheios de esperança de vida, mas sem propósito nenhum dela, então tu se pergunta qual o meio que este tem de seguir em frente, qual será o segredo para conseguir esta luz. Então segue seus passos como se fossem teus, mas as cegas, sem dar valor ao mínimo de sonho que te passa pela face.
A vida é dura Cherí, e as vezes descobrimos muito dela mais cedo do que pensamos. Descobrimos mais dos outros do que de nós, pelo menos é o que achamos no momento que descobrimos, e então nos afogamos em mágoa achando que temos menos em vida do que aqueles seres "felizes" ali ao nosso lado. E sentimos pena, e vontade de ter cada vez mais o que nos foi tirado.
As vezes a razão vem ter conosco uma conversa de amadurecimento, de petrificar-nos a alma, para que olhemos no espelho e possamos dizer, eu te amo, mas tudo está do avesso, ou pelo menos interpretamos do avesso. E nessas horas aparecem os meninos dos olhos encantados, pra nos ensinar a ler as linhas tortas do destino, ou pra nos ensinar a caminhar por todos os vales sem luz. É claro que o brilho nos olhos desses meninos nos quer dizer alguma coisa, que devemos achar o nosso brilho.

Felipe Sousa Cerqueira.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O destino

Cada mão de areia, suspensa no ar,
abre-se espalhando os grãos pelo vento.
Entre os goles de vinho que não vão voltar,
deixaram-se folhas de amor ao relento.

A flecha que acerta a maçã é homicida,
o rubro vem do alvo que nasce pra morrer.
Da natureza vem a reza que clama piedade,
árvore que se planta detesta uma cidade.

Na vida tudo nasce e morre,
cresce, vive e se transforma,
como a falta quando corre.

O amor assim transborda
lágrimas de desatino,
assim é o destino.

Felipe Sousa Cerqueira


A nova canção

Como gasto a angústia, que ganhei do amor,
tamanha, plena e pura, tão grande dor.
Ai que saudade eu vou chorar,
pela minha vontade de te amar.

Pagarei com mil votos do meu coração,
dizendo sempre eu te amo com minha emoção.
Te verei muito em breve, irei dizer,
cantar cem mil anos só pra você.

Raras são as palavras que eu falei,
posso dizer pra minha vida que eu amei.
Cantando sempre jurando o meu amor,
e você me devolve tudo em dor.

Vou mesmo sempre cantar naquele lugar,
onde a gente se amava sob o luar.
Cantarei para o alto e escuro céu,
limpar da minha boca o amargo fél.

E as palavras doces, deixou pro final,
que nunca ocorreu o momento mal.
Saber a quem se ama, se é um anjo bom,
ou se é o próprio diabo todo de batom.

Tenha a quem te mereça seja feliz,
cega, surda e muda, como eu lhe fiz.
Mas preste bem atenção nos seus passos,
para não tropeçar em qualquer abraço.

Venho dizendo ao mundo tudo que eu sinto,
que é lindo e eterno não tem extinto.
Que nunca se apaga nem apagará,
a reticência dura pra contar.

E a canção que fiz foi pra você,
mas essa aqui é pra esquecer.
A que eu fiz, queimei chorando,
então a nova escrevi te amando.

Felipe Sousa Cerqueira




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Gêmeo

Sabe Chico, a mesma vontade tua é a minha,
estar aqui ou ali, pouco importa, é estar.
As sombras que descansamos são iguais,
ser ou não ser, não questão de ser, será sempre.

Teu pai, Chico, é igual ao meu, rico ou pobre,
ter o direito, cumprir os deveres, será alheio a nós.
O seu Deus é o meu, grande e constante,
quando não olha pra você, não olha pra mim.

Sua cara lavada de perdão é igual ao espelho,
a inconsequencia é a mesma em todos os atos.
Sujo ou limpo somos irmãos do mesmo desperdício,
o calor é o mesmo, aqui em casa ou na rua.

A tua solidão é a mesma que sinto,
conhecidencia ou não provocam a mesma dor.
A mesma vontade tua é a minha, Chico,
vontade de amor.

Felipe Sousa Cerqueira.

A dama de Vermelho

De tempos em tempos tenho escutado músicas e dizeres que reverenciam mulheres que se vestem de vermelho, pode parecer uma cor pré-julgada como de mulheres alheias à vida social, pra mim foi a chave do mistério da mente.

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Em uma praça, lugar familiar, onde crianças brincam, pais se preocupam e casais namoram. Estava lá, a mulher de um homem só, destemida e solitária, triste e radiante. Seu olhar de tigresa despiria qualquer homem que mirasse, mas a solidão lhe proporcionara uma inocência sem tamanho, mesmo assim tinha o ar de primeira namorada, amante e amiga. Usava um vestido vermelho que cobria os joelhos, introduzindo ainda mais mistério a sua figura feminina.
As palavras de veludo, trêmulas e diretas desabrochavam feito flores na primavera, com uma naturalidade perturbadora. Sem tamanho nem forma, a sua tristeza trazia consigo uma força bruta de mulher vivida, sôfrega, dramática, a sua confiança era dada à alguém que conhecia naquele instante. Cada um dos seus gestos eram como um poema escrito em recorte de revista, de uma visão aterradora da vida, e uma concordância perfeita.
A noite lhe parecia comum, como quem vive da rotina de uma vida chata sem perceber coisa alguma. Tendo estado em perfeita harmonia com a sua beleza, a noite se incomodava seriamente com suas lamentações e dizeres, e como num passe de mágica foi tragada pelo adeus como quem traga um cigarro de desespero. Tudo isso na elegância doce, do seu vestido vermelho.

Felipe Sousa Cerqueira