domingo, 14 de agosto de 2011

Tudo

Devaneio meu, estive encorajado a seguir em frente, e tudo me levava a isso. Mas era algo diferente de qualquer outro sonho, parecia estar sendo realidade e de ser tão real parecia sonho. O metal cobria o horizonte ondulado, o sorriso da Vênus. Os sois eram castanhos, haviam dois, alumiavam uma luz tão forte, tão linda. As florestas negras, a combinação perfeita de grama com rosas, estas brancas, reluziam a luz castanha ao chão de metal, que esquentava e fazia luzir o mais belo sorriso no horizonte. E nunca era noite. Ela era dia, saia um sol entrava o outro na mesma tonalidade, no mesmo sorriso, tudo, perfeição. Na sua raiz, o planeta Tudo, tinha uma falha, havia um beijo, marcado, ele nunca foi dado. E os sois nunca existiram, e a terra de metal também não, morriam as florestas, as rosas, a grama secara. Por fim, tudo era sonho. E se Tudo fosse um sonho, o teu beijo seria a minha realidade.

Felipe Sousa Cerqueira.

Construção.

Nunca estive tão perto, de um ser místico, de uma força tão poderosa! Deixe-me explicar melhor:

Quem nunca teve experiências com o outro mundo?! Geralmente isso ocorre pela dor ou pelo amor(ou foi o que me disseram). Reaverei as palavras ditas pelo meu amigo, na maioria dos casos ocorre mesmo pelo medo absurdo. No meu caso, inesperadamente, aconteceu por amor, ou pelo menos um esboço disso.
Desenhado na parede, lá estava eu. Imaginem uma parede no meio do nada, flutuante, mais ou menos uma pintura de Picasso. Desenhada na parede estava ela, outra parede, paralela a minha, porém flutuantemente dispersa em som, cores, extratos, muito semelhantes aos que me agradam.
Eu parede de reboco, bruta, rústica, ouvindo, vendo, sentindo, aquilo tudo sem um tostão de coragem para me inclinar e cair. Fez-se outra parede, e nos ligou, agora eu teria o mesmo extrato e a mesma cor, era tudo que eu queria. Outra subiu. Eramos perfeitamente um quadrado, os sons estavam mais altos, nossa acústica estava feita. E tudo ficou escuro quando veio o telhado, só a sentia de cheiro, o som era insuportavelmente perturbador agora, era pesadelo. Eu me doía e gemia pelo frio fino da loucura, as músicas assustavam, as batidas faziam palpitar o meu peito, era tudo escuridão e dor. Ouvi um gato riscando o telhado, seu grito era como um tocar de trombetas, pensei em salvação. Nada aconteceu. Quanto tempo se passou, semanas! Sentia agora umidade, toque, agonia mais horrenda nunca senti. Escuro. Como um cego que perdera a visão aos trinta anos, me sentia limitado a tentar adivinhar as piores coisas que me aconteciam. Foi aí que tudo melhorou, fui coberto por um agasalho denso, parecia-me um abraço, pensei nela, foi aí que percebi que a música tinha parado, com tanta dor, frio, quando mais padecia, deixei-me envolver por sensações atoa. Medo. Onde estava ela, silenciada, demolida?! A agonia voltara, e o pior, havia saudade e dentro dela silêncio, e dentro envolvendo tudo isso escuridão. O agasalho já não me servia de nada. Então, do céu veio, portas, janelas, luz. E o meu agasalho era cor de anil, tinha cópias minhas fechando um cubo. E a minha parede gêmea paralela a mim falava-me de uma parede rosa que via e desejava todo dia, esperando voltar o seu amado de reboco.

Felipe Sousa Cerqueira.

Verso de bolso

O fim, o começo, tudo e nada há neles.
O primeiro, sendo derradeiro, acaba.
O outro, sendo verdadeiro, não apaga.
Mas ninguém, só Ele, sabe onde estão eles.

Felipe Sousa Cerqueira.

ROSA

Rosa, a flor, a rosa, vermelha,
beijo-te, lábio, alma, coração.
E nós, explosão de centelha,
as estrelas que nunca vi por paixão.

Rosa-te, o álibi
é minha face.
E rosa é o cálice
do amor que nasce.

Mas, rosa sem água,
com água, morre.
Nem pense na minha mágoa,
pois chego quando a tua chove.

Felipe Sousa Cerqueira.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Só para agradar

Escrevo-te poesias,
deixo de mim,
sou ingratidão,
permanecendo.

Tu, me traz alegrias,
a tudo diz que sim,
de amor certidão,
de ti padecendo.

Felipe Sousa Cerqueira.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

7 Minutos

Tenho que escrever-te, um poema,
em sete minutos, sem demora.
Escrever-te a nossa história, de cinema,
coisa pouca de muita memória.

De eterno amor à vaguidão sem fim,
devo escrever com pressa, sem me importar.
Que é a vida sem que te veja em olhar pra mim,
não me importo mais com métrica, que é de olhar?!

Em tempo e tempo, não há mais tempo,
de escrever-te cartas e poemas.
Mas há ainda aquele tempo de passatempo,
a achar-se rimas de Moemas.

Só restam os minutos frenéticos da noite,
esta que será em breve ontem.
Agora pouco haveria de termina-la com açoite,
para que vire logo logo fonte.

Felipe Sousa Cerqueira.

O nosso.

O meu amor e o seu amor.
O meu amor, oh! Meu amor,
é o seu amor junto ao meu,
e esse amor todo é seu.

O que é nosso, o que é meu,
de todos, somente o seu.
De amor à amor.
Nesse amor há amor.

Nosso, meu e seu,
é amor, por mim que é seu.
Por ti, tão puro, é o meu,
amor, nosso amor, que é meu.

Do amor eterno, um segundo,
que é seu todo esse amor.
E meu também, nesse instante, amor.
Amor, amor, amor, maior do mundo.

Felipe Sousa Cerqueira.


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Um cheiro de batom.

Curioso é o cheiro do batom, tem um cheirinho de infância, meio de massinha, de mansinha. É meio de comer aos poucos. Simples e bonito. É inocente. Mas recheia as noites de prazer com o teu batom, lambe e suja, beija e cospe. É uma contradição esse batom. Esse seu, nosso que ainda não foi meu. Não me sujou por que é claro, é puro. Mesmo vermelho forte que seja, é puro. Para ti é só um batom. Para mim um sonho em que danço. Sou rico por o estar observando desenhar o seu sorriso, em tua face, na parede do meu quarto, na testa do meu sonho. Tem gente que dorme e olha pra testa de olhos fechados, sou eu procurando o seu batom na penteadeira. E a marca, na testa? Ele não tem cor, nem claro nem escuro, é só um devaneio meu. De qualquer forma a cor desse batom é pura, como a infância, os primeiros amores, que a gente acha que é amor, mas é só um batom pra sujar a gente. Mas o teu batom é diferente, não me suja mesmo sendo vermelho Ferrari. É muito engraçado sentir um batom que não toca na gente. O teu creme no instante em que sorri, a tua sensação de que aquilo nunca vai sair, que você não quer que saia, nem a cor, invisível, nem o cheiro. O que é mais engraçada é a contradição, ora é vermelho ora rosadinha, que coisa, que cor. A maneira como entregas a tua boca a ele, o batom, traz em si o romantismo de outrora, daquela infância em que pintava a barriga onde dormia, desenhava nela um rosto, e tentava fazer um sorriso perfeito, e o fez muito bem, o fez seu. É o batom criador, o vermelho anterior, que não suja. E ao desmanchar a tua alegria, borra-o no travesseiro, grita, esperneia por uma vida melhor, por um batom mais sutil, e grita mais uma vez, a piedade do batom vem sujar todo o teu rosto, o vermelho ainda é inofensivo, mas suja, por que quer que suje, por que quer outro batom. E então no espaço de tempo entre a cama e a penteadeira existe o espelho que mostra toda a mentira anteriormente dita. O batom volta a ser uma simples cor depois do sono, do sonho, de outro amor. Os batons são diferentes, cada um com sua com, mas todos carregam um mesmo tom. A graça, a beleza, a infância, o amor, as lágrimas, tudo é sutil, tudo tem aquele mesmo cheiro que me intriga, me faz rir, me vidra, me entristece, me devora, e que eu devoro em sonho e quando acordo, ele é de batom.

Felipe Sousa Cerqueira.

Um Bem

Aos leitores: O seu bem, é seu, de mais ninguém.
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O bem pode ser qualquer coisa,
muito ou pouco, duradoura ou vaga,
ter cor ou rosto, mas sem você seria nada.

Digo isso, por que, meu bem,
o valor só da-se a quem tem.

O bem, simples, completo,
vai do teu sorriso,
onde existe ele, é paraíso.

Digo isso, pois, meu bem,
quero vê-lo muito além.

O bem, existe, é fato,
consumado ou não,
vai muito além de paixão.

Digo isso, e mais, meu bem,
pois já vi o que contém.

O bem, é certo, é errado,
vai de interpretação,
do negativo é o não.

Digo isso, porém, meu bem,
sinto que o tratam com desdém.

O bem é lindo, é amor,
é sinônimo de carinho,
quando dar-se uma flor.

Digo isso, a fim de, meu bem,
explicar a razão de quem o tem.

Um bem, meu bem,
é bem de quem,
quer fazer o bem.

Digo isso, então, meu bem,
o amor da-se a quem o tem.

Felipe Sousa Cerqueira.