sábado, 30 de janeiro de 2010
Rua da Lembrança
Naquela rua, havia uma casa em construção, e o nosso personagem pôs-se a observa-la, era uma casinha simples, no meio de uma vizinhança de mansões tristes que traziam ao nosso herói recordações, algumas simples e alegres, outras doloridas e tristes. Mas aquela casinha não era uma casinha qualquer, nela havia uma princesa, sentada na varanda, ainda em construção, a princesinha tocava bandolim, um som que o nosso amigo admirava, que ouvia varias vezes em casa, aquilo por estar comum na sua rotina fez-lho se apaixonar não só pela perfeição da interpretação da melodia, mas também por quem a fazia.
É uma chance, no meio da rua das lembranças, aparece algo novo, que está se fazendo, algo que possa vir a ser um casebre sombrio, ou se transforme em algo magnífico, que aquela rua nunca viu.
Felipe Sousa Cerqueira.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Seu Carlos.
Ele
EU
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
O amor partir
Eu te tinha,
E me sentia igual,
Até que em nós
Tudo ruiu,
E o que talvez fosse
A representação mais pura
De mim
Para você,
Transmutou-se pro nada,
Num pequeno ser.
E de ser
Já nem éramos!
Ébanos ou tupiniquins,
Nos perdemos
Nas miscelânea louca
Desses dias sozinhos,
Onde cartas extensas
Por estêncil,
Enumeravam as perdas.
Danos nos romperam os lábios
E o sol,
Nas beiradas,
Ficou menos amarelo;
Menos amarelo em seus olhos
E na cor de sua pele;
E mesmo osculando o vendo
Perdia-me em coisas concretas,
Coisas incertas que não deixariam
Que coubesses em mim.
Eu ri -
Ou era choro aquele riso?
Só sei que assim então
Eu quis,
Por que o além de nós me trava a traquéia,
Fazendo-me implorar por algum ar menos promiscuo,
Mas eu não vejo desperdício,
Nos seus vícios mais ilícitos.
Não que o meu desejo seja rir,
Tentei apenas forçar o amor a partir.
Ir.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
A musa e a noite.
Tão linda e formosa que deixava Fernando boquiaberto. Tinha esquecido da sensação de se sentir apaixonado, aquela mulher era tudo que o interessava ali, talvez não passasse de um desejo bobo, aquilo tudo era rápido, as palavras e gestos da garota, nunca tinha achado alguém tão parecido com si mesmo a principio. Ela cantou:
-“Drão, o amor da gente é como um grão..” aquilo entrou na alma de Fernando como uma dúzia de adagas banhadas ao ácido mais corrosivo.
Foi a partir deste momento que a garota deixou de ser uma simples garota e passou a ser encantadora, quanto a musica, ah! Era a musica que Fernando vivia cantarolando, talvez tenha sido por isso que a cantoria o enfeitiçou tanto.
Tudo era mágico e ao mesmo tempo triste, percebeu a semelhança tarde, vinha no intuito de beijá-la desde o inicio do passeio, só que a garota tinha um pretendente. Fernando como bom ator da vida que é, não aparentava a melancolia que trazia, e lançou três ou mais cantadas na noite, aquela sim, era a sua musa do verão. Tão encantadora e semelhante a ele. Descobriu outra coincidência, estavam numa sorveteria, e Fernando conversava com um amigo.
-Avê! Você botou o sorvete puro, havia tantas guloseimas para acompanhar o sorvete, e você não botou nada, que louco! Falou o amigo não em um ato de critica, estava mais para aquele comentário que quebra o silencio. Então Fernando:
-Pois é, eu só gosto de sorvete com leite em pó. E já que não tinha...
A musa olhou para Fernando e com um ar de concordância. Foi ai que Fernando percebeu todas as semelhanças da moça, esqueceu das conversas e do sorvete, e ficou a observá-la, a pele morena, os traços tão bem esculpidos desenhados pelos melhores arquitetos de Deus. Aquela noite se tornou mágica por esses mínimos detalhes, aliás, quantas noites se ganham só por causa de um sorriso ou olhar?! E quantos dias se perdem por causa de um único encontro ao acaso?! Enfim a musa de qualquer maneira era bela, era linda, era mágica, assim como os gestos, e a noite.
Felipe Sousa Cerqueira.