quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Cênico-cínico

Brindes! Muitos deles são em vão, são falsos, comemoram algo mesquinho ou superficial. Mas, quantas coisas de caráter ruim nos enchem os olhos? A falsidade, por exemplo, fascina. O cinismo, a hipocrisia nem se fala, todos dependem de um conjunto de fatores cênicos que não se discutem. Observo um ato de falsidade por exemplo, em que o sujeito se acha o dono da hora e da verdade, achando que nenhum dos presentes ali, vão saber do seu golpe de "manipular o júri". E todo mundo sabe que ele está fingindo e ENCENANDO! A hipocrisia presente em cada ato que presenciamos, seja na política, que muitos preferem nem discutir, na sociedade, na família, essa é a melhor, que causa os melhores traumas, ou na amizade, chamada de falsidade citada anteriormente, será que cada um desses aspectos cênicos(e cínicos) estão ali por opção ou por um dom?
Pois é caro amigo, nem todos conseguem ser mesquinhos, ou fingir que são, por que não se trata de saber, se trata de nascer com aquilo, é igual ao dom de amar, de cantar, de saber, de inventar. Tudo vem do berço amigos, do discurso até a aposentadoria, vem tudo de berço, vem tudo da filha-da-puticie dos nossos magistérios, amigos e parentes, do mais cínico ao mais cênico, do mais homem ao mais bicha(com todo respeito), do mais professor ao mais vagabundo, tudo é um dom. O dom de ser ator. Por que eles só o usam como passatempo? Imaginem quantos atores as grandes redes de televisão perdem com essa história de senado cênico-cínico? Então, um brinde à falsidade como dizem por aí.

Felipe Sousa Cerqueira.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Absurdo momento.

É, na verdade, um desconforto chato. esse amor que ainda arde no meu peito, que ainda sussura os meus enganos, os meus erros, as minhas birras, porres. E isso, depois de tanto tempo sem escrever, vai muito além de um simples texto pra convencer outras pessoas de que eu estou aqui para entreter. É um desabafo, o "eu te amo" que engulo sempre que estou sozinho, ou vejo um beijo de novela. Seria bom estar a flor da pele, chorando os horrores que cometi ao te deixar. Mas tudo é uma passagem infinita para a certeza do meu amor. Pelo menos deixei de ser possesso e, mesmo te vendo em outros braços fico feliz.
Consigo sorrir e sentir amor pela música, toco não sei o que. Pelo menos toco. Sorrio, brinco, mas é uma felicidade escondida, só minha, que satisfaz com um tanto de egoísmo o meu ser. É só minha, pode parecer um princípio de sociopatia, mas é o meu ego que fala mais alto, para que eu não caia na tentação de me apaixonar de novo, não entendo. Sou só eu tentando levar a vida te amando e aplicando, na prática, a existência da palavra "sempre". Acho que quando falava "não diga isso" pra mim quando ouvia "eu sempre vou te amar" não sabia a maldição que a suas palavras me jogavam. Me levavam ao fundo do poço, por que eu sou eu, e o meu amor por você é meu, ainda. E está enfiado dentro de uma fotografia de festa, de momento, de serenatas, e em textos que, por mais que fale de outras, sempre existe você, no meio de tudo, no toque singelo dos meus dedos no teclado, na frase dita para levar uma mulher à cama, tudo tem você, que é a base de toda a minha comparação. Cada "bom dia", no ato da rotina formal de um casal poderia ser um "eu te amo". Seria se fosse eu e você.

Felipe Sousa Cerqueira.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Um dia um adeus"

Confesso que andei perdido, antes de ti, e depois me perdi em ti. Estando perdido, mantive-me seguro da certeza do ato. Seguindo as estrelas que deixavas pra mim, ou até as migalhas das milhares que colhias e destruias, ou antes da hora fecundavam-se e morriam sem a sua atenção. Depois mantive-me sereno diante das suas palavras duras, quando as ouvia, só prestava atenção ao seu tom de voz, veludo! Aquilo me acalmava, me deixava perdido, fora da razão, como sempre quiz estar, onde sempre quiz te levar, para o meu mundo, e faze-lo nosso. Então veio a onda, esta que levou a possibilidade de te ter, que fizestes com as próprias mãos sem ajuda alheia, sem o meu consenso, ou o da minha alegria, voltei a perdição anterior, fui quem fui, e vi que sendo quem sou, sou pior pra mim, mas melhor pra te esquecer. E nesse dia vi, que o adeus que vale mais, é o que vive na eternidade, que a cada eco, uiva a nossa história abrindo a minha ferida.

Felipe Sousa Cerqueira

Vago desejo.

Depois que a fada se foi o mundo mudou, as terceiras pessoas do plural começaram a aparecer com mais evidência, a perturbação das relações alheias começaram a se tornar vertiginosas, promovendo a culpa. O tempo passou num piscar de olhos, e em outra boca apagastes a nossa história. As lembranças se tornaram vagas, dentro de uma música ou de outra procura-se o seu sorriso, o seu bico, o seu ardor puro e secreto, o seu olhar, na música procura-se a corda do relógio dos meus dias, que pare apenas em uma mulher, que corra quando estiver longe, e que a distancia seja um pretexto de uma viagem, de um encontro. Parar um desejo tão puro, não deseja-se, tem-se, cala-se, ouve-se, em sua presença, cala-te boca! Deseje o empurrão da felicidade na sua vida, fada, no súbito desejo de amar e ser amada, como amei! Não sonho, não ouço a música que te traz a mim, sou só eu, vivendo a culpa de uma partida abrupta, de um erro amaldiçoado pelo destino, joguei o meu amor no lixo, mas estava acorrentado a ele, e me joguei, sem saber, também.

Felipe Sousa Cerqueira.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sincero adeus!

Odeio! Odeio! Odeio as brigas que acabam como despedidas formais. Um "adeus e morra!" é melhor do que o "adeus e passe bem!". Adoro a sinceridade, por isso afirmo isso, até porque quando a gente ama, e acaba-se uma relação duradoura, não existe esse amor, afirmo, e brigo com quem for para defender essa tese, que não existe esse amor, por mais puro e inocente que seja, que não deseje o arrependimento do outro, já que afirmo isso digamos depois do fim: Adeus, se arrependa e volte aos meus braços pois eu te amo!
Esse é o verdadeiro amor.

Felipe Sousa Cerqueira

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Amigo canastrão

E as minhas amigas que odeiam o meu amor? A curiosidade é inimiga da amizade, quando não se participa nada cem por cento a um amigo, este, passa a ser contra aquilo, diz que não presta que está te prejudicando, ou seja, um sujeito não pode viver a sua vida sozinho, com as pretendentes que lhe convém, isso faz mal a saúde. Quem disse? O ministério da amizade canastrona? Um dedo médio para todos vocês amigos e amigas que vão contra a cautela de quem quer ser feliz. Um dedo médio para vocês que tem que estar participando da vida alheia. Um dedo médio bem na fuça de vocês. A canalhicie vem de cada bom dia e cada abraço que vocês dão, recheados da falsidade mundana, continuem se impanturrando desse recheio, mas tenham dó dos que querem ser felizes, vocês sempre vão saber no final mesmo. Continuo com o meu dedo médio erguido a vocês. E um foda-se aos intrometidos.
Felipe Sousa Cerqueira

Histórias de Palavrão

A primeira:
Na escola, a professora chama a atenção do aluno levado. E ele:
-Vá se foder!
Imediatamente, a professora encaminha o aluno, que passou de levado à "osado", à direção da escola.
Depois de muita balela e blá blá blá, vinda da boca da diretora do instituto de ensino. O garoto, ainda "osado" balbucia:
- Isso tudo é LIBERDADE DE EXPRESSÃO.
Aquilo foi um choque para a senhora diretora, que tinha até lutado na ditadura por isso, e agora se via tirana dentro de uma instituição claramente menor, e com menos importância - achou ela - que o Brasil.
Chamou os pais do menino, e deu-lhe três dias de suspensão. E o tal, levado, "osado'', evoluiu mais umas vez a categoria, passou a ser um anjo, depois que o papai conversou com ele, a sós. Depois da pena, da diretora e do pai, o garoto entrava na sala atrasado, quando isso acontecia, dizendo:
- Bom dia professora, posso entrar?
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Tá bom, de onde veio a "porra"?
"Porra" surgiu da precocidade sexual.

Nos primórdios da baixaria em série, quando inventou-se o palavrão, não no tempo da vovó, palavrão naquela época era "comunista", "civil" essas coisas, estou falando de depois da woodstock, por que nesse tempo não havia nada precoce, o povo tinha medo até de neném usar chupeta. Enfim, depois do primeiro microchip(o culpado), os jovens passaram a gostar mais de ficar em casa, na frente de máquinas onde dava para interagir com tudo, desde realidades paralelas até a mamãe vir e confiscar aquilo tudo, isso foi um choque para o mercado de bonecas infláveis, cerveja, e outras coisas de homem. Certo dia um pai entra em casa revoltado:

- Arrume uma mulher! Levanta da frente desse video-game e vá atrás de uma fêmea! E só volte aqui depois que saber o que é uma genitália feminina(era o medo de dizer vagina, ou boceta, ou xoxóta- o meu preferido).

Pegou o garoto pela orelha e o colocou pra fora de casa. O rapaz, sem entender direito tudo aquilo, que só havia visto na aula de anatomia, precisava dar um geito na situação por que precisava voltar à realidade virtual. Recorreu a um amigo não menos ''inteligente'' que ele:

-Ouvi meu pai dizer certa vez sobre uma casa onde paga-se por mulheres, é tudo bem limpinho segundo ele, e livre de doenças.

-Leve-me até lá, preciso acabar com o "chefão" do Legend of Zelda, tô no ultimo.

O amigo fez o seu papel, perguntou ao irmão mais velho sobre o assunto e descobriu fácil o endereço da tal residência, foram a pé, com algumas economias, afim da missão de conhecer uma mulher.

Foram bem tratados quando se soube da "primeira vez" do garoto, as meninas(esse nome é por educação) ficaram eufóricas. A dona do bordel chamou uma de suas garotas, a com o rosto mais angelical e dotada do corpo mais formoso, fez uma promoção ao garoto, o amigo não estava interessado porque tinha levado o seu game-boy e estava intertido.

No quarto, o garoto só queria ir embora, nervoso, suava frio, e tremia, a menina fazia de tudo para animá-lo, e ao seu companheiro de virilidade, e quando o milagre da ereção aconteceu, foi seguido por outro milagre, o da ejaculação, e o garoto, como por um toque da sua mente fértil soltou uma palavra que nunca tinha escultado antes:

-Porra!

E as mulheres passaram a usar esse vocábulo no bordel. Agradeça a tecnologia por esse palavrão. "Porra" o esperma que ficou famoso.

P.S: Atenção, essas histórias não são de caráter verídico, qualquer semelhança com livros de história ou resenhas de amigos, é mera conhecidência.

Felipe Sousa Cerqueira.

Dito subentendido

É chato falar de amor, eu sei! Por isso só vou citar essa palavra em apenas um momento do texto - que já aconteceu.
Meu benzinho, tentar resistir a isso é loucura, quase um suicídio. Para todas as músicas que ouvir, as dramáticas que machucam o ego, ou até as do tipo "foda-se" que o levantam, existe um paralelo, aquele que citei no inicio do texto, é isso que é dito pra você todos os dias, em cada olhar, em cada exeção à regra, em cada beijo, ou verso cantado, tocado, pensado...
O dito esquecimento, que tentou-se anteriormente, não pode acontecer. Não consegue acontecer. Por que em cada palavra posta aqui, existe um toque seu, em cada música daquelas citadas, existe o tom da sua voz, um veludo feminino, amansa cavalo! Os olhares lúdicos são os melhores, os trezentos beijos, divãs da alma, o silêncio que você odeia, com medo de ser tocada por aquilo que não pode ser citado. O seu cheiro, de manhã menina daquelas que só existem na infância, é de tudo isso que não consigo fugir.
Mas se tudo que eu escrevo é sobre você, eu não posso citar o que é de fato, por que criei uma regra no início, a da cautela, da calma, de tudo que é dito, medido sob o meu dicionário, tudo tem aquilo que não pode ser citado, tudo tem você, que é a exeção da minha regra.
Felipe Sousa Cerqueira

sábado, 9 de outubro de 2010

Fora de ordem

O que fizemos com as chaves de casa? O que fizemos com o carro da mamãe, do papai? O que fizemos com o imposto de renda, com os cabelos brancos do vovô? O que vamos fazer no final de semana, sozinhos? O que fizemos com as tardes enamoradas? E com os namorados e namoradas? O que fizemos da nossa casa, perdendo as chaves, sujando o carro da mamãe, do papai, queimando as contas do imposto de renda, isolados num final de semana, sem tardes, sem namoradas? O que fizemos com o país, sem educação? Sem o respeito mútuo? Sem a porra da polícia? Sem homens de verdade, que governem, que suem pelo mundo, pelas matas. O que faremos com o futuro do país? Faremos mais casas de recuperação de drogas? E quem banca? O vovô? Mas ele não usa drogas. Os traficantes? Mas eles estão em algum lugar em Miami, com suas manções e carros importados. O que vamos fazer com a energia nuclear? E com o petróleo? E com o sistema de transporte ferroviário do país? Meu Deus! O que foi que eu fiz com o mundo! O que foi que eu fiz pra mim mesmo, e pra minha mulher! As coisas estão mesmo fora de ordem.

Felipe Sousa Cerqueira.

AME!

Ame as coisas como são. Doces ou salgadas. Azedas ou amargas. Tristes ou felizes. Sadías ou malévolas. Astrais ou mundanas. Simples ou difíceis.
Ame as coisas pelo seu caráter dominador - pelo geito que elas nos impõe uma atividade indesejada. AME! Acima de tudo, as coisas que trazem até você um amor, ou um amigo. O destino, essa coisa. Ame o dicionário que você despresa entre tantos livros mais chatos, que aquelas coisas te obrigam a ler. Ame o sujo, o limpo, o lindo, o feio. Ame tudo que for coisa. Ame a Bíblia que o homem escreveu para explicar o inesplicável. Ame o sábio que te xinga, ame o tolo que te consola. Ame o burro do seu amigo que te faz lavagem cerebral. Ame o lícito e o ilícito(ame com educação). Ame o seu geito, que foge do seu controle, que te aborrece quando apaixona, ame o mundo tal como ele é. Perfeito e imperfeito.

Felipe Sousa Cerqueira.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Grandes Amigos

Por que ser assim, fria e indiferente?
Esquecendo a história de grandes amigos.
Como irmãos amando as brigas que unem.
Apaixonados! Sorrindo com olhos ingênuos.

Sem a sua elegancia encantadora,
você acaba com meu dia amiga.
Quando não me fala, não me liga,
esquecendo da história de grandes amigos.

De onde vem esse orgulho?
Das mentiras que te contam?
Das verdade trituradas em amores?
Ou das intrigas de grandes amigos?

E quando surge esse soriso que alegra o meu dia,
te digo coisas repetidas, besteiras, alegrias.
Só para preservar esse brilho que sai de você,
E para te provar que somos grandes amigos.

Com versos chulos, volto a sentir saudades,
de quando você me abraçava dizendo bom dia.
Das manhãs ao seu lado, falando coisas banais,
das tardes contando casos sem sentido...

Com saudades suas, te fiz essa canção,
tentando te fazer voltar e mudar.
Para ser feliz novamente.
E te lembrar a história de grandes amigos.

Felipe Sousa Cerqueira.

sábado, 25 de setembro de 2010

Súplica de rebelde apaixonado.

Quero a solução do meu problema,
seja ele o que você diz, ou não.
Que se faça a justiça ao meu dilema,
sem limpar teu nome do meu coração.

Querer, é sim, o meu poder,
que tenho amor já sei.
O teu amor saberei ser,
diferentes dos outros banais que amei.

Quero agora e quero já,
a cura para essa doença.
Que bate na minha porta devagar,
toda vez que sinto a falta da presença.

Eu bato o pé feito criança,
chorando pelo doce na vitrine.
Sou rebelde apixonado que dança,
ao som de qualquer Jimmy.

E criança ainda serei se me regeitar,
pela jura que fiz de não beijar outra boca.
Em sonho nunca pensei em te amar,
mas acordado sinto essa vontade louca.

No meu pensamento só há você,
aqui, ali, acolá.
Eu quero você, agora, para me dizer,
que tudo que quer é me amar.

Felipe Sousa Cerqueira.

Egoísmo amante

O ingrato e mal agradecido estão lado a lado. A ingratidão vem da força de regeitar o que lhe cai bem, que vem a contradizer a opinião própria. O mal agradecimento, ou o descontentamento por algo com boas intenções, segue outro rumo, o do egoísmo pessoal. Por que o conselho bem dado nunca é seguido? Por que quando se há dúvida sobre o que vai acontecer, depois de determinado ato, o egoísmo é a força que move o mal agradecido a outro caminho. Nem sempre é o do erro. O egoísmo as vezes é necessário, em prol da felicidade propria, sem machucar as opiniões alheias. Ele nem sempre vem do mal. As vezes, quando guardamos algo para alguém, esse algo é tão bonito que queremos a reciprocidade bem mais enfeitada, daí vem o egoísmo sutil, o ingênuo. O amante.

Felipe Sousa Cerqueira.

domingo, 19 de setembro de 2010

O preguissoso.

Gustavinho, homem bem vestido, alto, gordo e vermelho, daqueles que usam suspensório, com cara de deputado, entra na delegacia mais vermelho que de costume, é reconhecido por uma senhora a quem havia feito um agrado tempos atras:
- Senhor Gustavo, como vai o senhor? Perguntou com um sorriso sincero como de uma criança. Gustavinho respondeu sem levantar os olhos:
- Vou bem, na medida do possível! A frieza foi tamanha que a senhora não contou conversa alguma. Saiu sem êxito no diálogo.
Gustavinho sentou-se:
-É aqui que se registram as queixas?
-Aqui mesmo- era um homem magro, pardo e usava oclinhos já acabados, enterrados nas rugas que aparentavam mais estresse que idade- que o senhor deseja? Algum problema?
-Quero registrar uma queixa! Era evidente o espanto no semblante de Gustavinho.
-Pois bem, estou ouvindo...
E Gustavinho pôs-se a falar:
-Tenho quarenta e cinto anos, não posso passar por sustos muito grandes. Mas hoje como aparento, estou muito assustado, eu matei um sujeito...
-Legítima defesa?- o homem da lei levantou bruscamente os olhos para Gustavinho enquanto tomava nota...
-O caso foi o seguinte, chego em casa, como de costume comprimento D. Shirlei, a minha empregada de anos, subo e vou ao quarto, ligo a TV e deito-me na cama, o dia de trabalho foi frenético, quando me pus a cochilar, ouvi um estalo nos canos elétricos da casa, e tudo se apagou, o quarto foi iluminado pela chama que a TV soltara quando queimava, pensei comigo, "não mereço isso". Desci, peguei o carro, andei um ou dois quarteirões, indo ao boliche, o segundo sinal, o pneu do carro estoura, sem paciencia e dom para trocá-lo, saio a pé, com a carteira e as chaves. Andei uns quinhentos metros, que para mim é muito, sou gordo e fora de forma, cheguei finalmente ao boliche, aluguei os sapatos, e ali joguei por duas horas, no fim, na hora de pagar, o sitema responsável por ler o meu cartão pifa!- parou de falar por alguns minutos para enchugar o rosto, que estava cada vez mais vermelho e cada vez mais molhado- mandei chamar o gerente que era meu amigo, e disse que ia tirar dinheiro no caixa eletrônico mais proximo, a minha sorte foi que esse caixa era realmente proximo. Tirei o dinheiro e antes que eu pudesse sair do caixa um homem me empurrou para dentro da cabine e me fez limpar a conta com um revolver na nuca...
- E aí como você o matou?!
- Não foi o infeliz que eu matei, me deixe continuar.
- Certamente!
- Eu tentei conversar para falar da conta que tinha de pagar, mas não deu outra o sujeito ainda me deu uma risadinha cínica e deu um tapinha nas minhas costas saindo da cabine e ameaçando se eu viesse a gritar ele colocaria meus miolos dentro do caixa eletrônico, então fiquei olhando o sujeito se afastar com todo o meu dinheiro em mãos, o dinheiro da conta aliás, lembrei que tinha dinheiro em casa, fui no carro, peguei as chaves e caminhei as duas quadras e quinhentos metros de volta. Cheguei em casa exausto e vi que a luz tinha voltado, o quarto cheirava a plástico queimado, por causa da TV, peguei o dinheiro, liguei pro guincho, e pedi que levassem o meu carro a uma oficina, eles o fizeram, o dinheiro dava para mais alguma coisa alem da conta, tomei um táxi e fui ao boliche paguei e entrei no táxi a fim de voltar para casa para dormir.
Nesse momento o policial para de tomar nota e coloca café na xícara ao seu lado, e bebe, percebe o táxi ao lado de fora da delegacia, vazio, olha serenamente para Gustavo, tenso de um dia cheio, e estressante, que ainda falava, mas sem receber muita atençao. Volta a prestar atenção e escrever:
- O motorista falava pelos cotovelos, e eu só pensava em dormir, cochilei no táxi, e quando chegamos em casa o cara me acordou bruscamente, o que me deixou bastante assustado, exigiu uma quantia que juguei absurda, porém havia um único problema, o dinheiro que julgava ser justo pela corrida o panaca não quis aceitar, então pedi que esperasse no carro, entrei aflito em casa, o cansaço ja tomava até a alma, abri o cofre, nada alem de ações e um revólver herdado do meu pai, não pensei duas vezes, entrei com uma única bala no tambor, desci, rindo o descarado me esperava, cantarolava uma canção do rádio, parecia estar pensando, que gordo idiota, cheguei bem perto, pois errar não era a minha finalidade, atirei! O tal morreu me olhando, rindo ainda, peguei o corpo, ele tá aí, na mala do próprio carro, esperando eu dar o preço da sua corrida à morte!
- O senhor quer registrar queixa de quem?!- Perguntou o homem da lei.
- Contra mim mesmo!- Disse Gustavinho com os olhos marejados- Tudo que eu quero é dormir ao som da TV.

Felipe Sousa Cerqueira.

O amor: novo e velho

O velho amor, de tão velho caducou, e morreu alucinado, com coisas surreais. Cor de rosa, vestido vermelho, preto, caqui, porta retrato, e um cartão de Natal prateado. Vá em paz, amor querido que encheu olhos de alegrias e esquecimentos.
O novo amor vem de supetão, veio vestido de amizade, traje de carnaval, de bolinha, decote redondo, olhos grandes, observadores que não esquecem de nada. O novo amor veio com minúcia, devagarzinho, e torto. Chegou a falar de sombras, tentar ajudar o velho, mas este, cabeça dura, morreu dizendo "eu não preciso...", morreu velho amor! O novo amor também é sereno, é triste como todo amor de inicio, novo! É assim de natureza, precioso, amigo, eterno. Esse novo amor vai durar toda a eternidade, até onde a memória lembrar. O novo ficará velho, mas dirá a si mesmo "eu te amo".
Felipe Sousa Cerqueira.

domingo, 12 de setembro de 2010

"C"

Consequente, consegui corar.
Cedendo, consigo "C".
Comigo converso.
Caustico coração.

Coisa caquética:
-Conseguir correr com coração cortado.
Corro com cara cauta.
Cavo caverna, coração cavado.

Como cachoeira celsa.
Converso com celeuma.
Celeste como "C".

Corro. Cato caco cardíaco.
Como com "C"
Completa comigo coração?!

Felipe Sousa Cerqueira.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O que será?

Se o teu olhar, com o meu se encontrar,
faça de conta que não percebe minhas intenções.
Se perceber, faça de conta que são suas as minhas ações,
por que sempre vou estar, contigo em qualquer lugar.

Se o seu abraço me muda um dia, e o seu cheiro me alimenta,
imagine meus lábios tocando os seus.
Quando saciarem minha sede, se tornarão vicios meus,
será isso que a minha vontade de ti engendra?

Felipe Sousa Cerqueira.

Tentativas...

Tentar! A primeira vista parece loucura, quando algo que começou como uma amizade se lapidando, assim surge: o apreço profundo, o gostar e o pensar insuportaveis.
A desistencia vem quando abre o caderno e tenta escrever. Não lhe saem da cabeça mais que aquelas tres palavrinhas clichês!(não preciso cita-las).
Até então a negaça dela só é insuportável quando pensa na sua ausência. Aquela mulher o seduz com o ato afetuoso do abraço. Só! E o brilho do seu olhar te corta a alma e deposita na ferida um drink empolgante.
Então aproveita a empolgação coitado(isso que é você, apaixonado!) e tente!
Felipe Sousa Cerqueira.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

31 de Agosto

31 de agosto...

O dia 31 para mim é uma data muito especial. Mas, o 31 de agosto tem algo mais de especial.
A quinze anos atras, nascia uma princesinha, que viria a ser, futuramente, a pessoinha que adotei como mulher da minha vida. Aliás, dizer esse que sempre foi abafado pelo meu orgulho masculino. Enfim, que esse texto se torne algo bom aos seus olhos, pois, foi feito especialmente para você.
Não pude ser eu mesmo, durante o tempo final da relação, por que eu queria que você criasse aversão a mim. Pude, nessa época, ser só rude e mesquinho em relação aos nossos sentimentos, aos seus principalmente. Porem, essa fase de arrogancia só me lembrou o quanto o meu apreço por você é grande, por isso te poupei das minhas visitas e de atender as suas ligações.
Tive que começar esse texto me explicando e falando de coisas ruins para chegar, enfim, ao estribilho final, e mais bonito. O que foi mais lindo. De mim para você.
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Tudo era musica. Aliás, no primeiro beijo era dia 31(ainda lembro da minha reação após esse), os nossos meses se faziam no dia 31, tão sonhado para mim foi esse dia 31, em que faltei a solenidade da sua felicidade. É dificil escrever sobre isso, o ano ao seu lado se passa sem ordem cronológica na cabeça, e ainda é bloqueado pelo tempo sem você. Quando vivia em casa, estava ouvindo as musicas que tocava para você, a fim de criar uma nova versão ou até compor algo - "esse tempo fez alegria..."- a musica te trazia até aqui, a distância era nada comparada ao tamanho do nosso amor. E todo casal, sempre, tem problemas, o meu estresse era evidente diante de algumas reações e comentários seus, mas depois do fim, eu aprendi tudo que você me ensinou, e queria, aprendi que os momentos felizes valem mais do que os que somos tristes. E aprendi, principalmente, que "tudo que é bom dura tempo bastante para se tornar inesquecível", você vivia me dizendo isso.
Chorei e ri, e do seu lado tudo eram flores, eu esquecia até de brigar, e reivindicar os meus direitos de namorado, por que tudo em mim só pedia você, os apelidos eram os melhores, eu não precisarei cita-los por que você sabe. Tudo que queria eram os sonhos que sonhavamos juntos, e que viviamos intensamente um sentimento, o qual, hoje, não se crê mais.
Toda história, como a nossa, quando acaba sempre é triste, mas, se ao menos ela acabasse por inteiro, se não sobrasse nada disso tudo, ai sim, acabaria, mas não, não acaba, nunca acaba. E o eterno? Nada é eterno? Nada é para sempre? O que é o nada?(pergunte para aquele cético que vive dizendo) Nada é eterno por que nunca se tentou ser um nada, para que, nunca nos esqueçamos de nós mesmos, e dos nossos amores da juventude.
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Esse texto é egoista por que só eu, e você que vamos entende-lo.
Feliz Aniversário.

Felipe Sousa Cerqueira.

domingo, 29 de agosto de 2010

Frases do Quadro

Escreva mais e pague menos para ter o que comer.
Seja você por mais de um dia.
Escreva sua vida no seu jeans.
A felicidade é um quadro branco rente ao louco.
Em alguns instantes será feliz...
Felipe Sousa Cerqueira.
P.S - Simplesmente acordei e li isso no quadro branco que fica na minha sala.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pensamentos

Naquele dia, os dois haviam conversado parcialmente, ele não disse tudo que tinha a dizer, e ela não ouvia tudo o que queria ouvir, ou talvez nada. Quando chegou em casa, o rapaz, num instante sozinho, sentiu a cabeça ferver com os pensamentos antigos que traziam o nome dela. Talvez aquilo fosse irremediavel. Levantou, fez o pouco da barba que restava(pensando nela), lavou os pratos, tudo à distração cobrir-lhe aquilo tudo. Sentou no sofá, inquieto, pegou um livro, abriu, não conseguiu ler mais de dois parágrafos, os pensamentos ávidos vinham como fios de memórias e juras na sua mente, até ali - julgava - insana.
Saiu do sofá decidido a ir vê-la, sem ao menos avisar, era a primeira vez que fazia isso, uma visita surpresa! Entrou no chuveiro, usou o seu cheiro, pegou o filme dela que estava em sua mão, e então seguiu. Lá, tocou a sirene, esperou não mais que cinco minutos(que para ele pareciam mais de vinte), a impaciencia romantica começou a entrar nos seus pensamentos, que até ali só falavam dela. Sentiu o chamuscar da vontade apagar aos pés da espera, e voltou para casa, sem pensar em mais nada, e, com o filme na mão.

Felipe Sousa Cerqueira

O convite

Aquele rapaz alto e robusto já não era mais o mesmo. Sempre que algo o aflingia desistia de tudo, se trancava no quarto e devorava livros, até que o sono, silencioso, o tomasse por completo. Esperava o sono, tal como alguem que esperava a morte.
Em uma tarde, cinzenta e úmida, abriu a correspondencia, e viu, o brilho da sua agonia passava a ser material. Era algo brilhoso que levava o nome da sua mãe, o seu fora subescrito apenas como sobre nome. A principio era evidente a sua curiosidade para ver o interior do envelope. Abriu. Leu tudo o que achava clichê. Mas, aquilo era bonito, sentou-se no canto da sala, ao mesmo tempo em que abria a outra face do cartão, e então viu, a frase que sempre dizia a ELA. Ficou atônito, o seu extase durou um minuto e meio, o que depois virou mais desgosto.
Fechou o convite com cuidado, como se pegasse as mãos da amada, e o pôs, com o mesmo cuidado, em cima da mesa. Entrou no quarto, deitou na cama, pegou um livro e colocou-se, aflito, a espera do sono.
Felipe Sousa Cerqueira.

domingo, 22 de agosto de 2010

À os que querem se apaixonar.

Queria ser um aviãozinho de papel,
vagar por esses ares como um sonhador.
Trazer para você todo o azul do céu,
me desdobrar em suas mãos com coisas de amor.
Levar até ai, cada passo que foi meu,
ser de estrela à soldadinho de chumbo.
Lavar as tuas mãos, me perder em cabelos teus,
brincar de ciranda e girar meu mundo.
Queria, levar-lhe toda alegria.
Ser, no mundo, o teu guia.
Cantar canções dos que ja se foram.
Matar, na minha pele, seus pensamentos que voam.
Ser, perfeição, até que eu grite.
Mas, eu nem sei se você existe.
Felipe Sousa Cerqueira.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Anjo!

Lhe venero como a um anjo, sem medo de suplicar,
só trago em mim, a timidez, do medo de errar.
Fui errante, mas tenho que te trazer para mim,
a minha súplica, se transforma no desejo do sim.

Aos seus olhos anjelicais, que luzem os meus dias de observações,
cruzo-os com os meus, num ato meticuloso.
Sou teu no seu olhar, anjo de alva cor,
eu te suplico a luzir o meu dia com fervor.

Felipe Sousa Cerqueira.

Paredes

Como duas paredes, paralelas, sem noção do risco, e do piso que separam-nas, estamos- paralelos um ao outro. A parede do meu eu perde a magnitude do chão e dos obstáculos que nos separam, sempre que nossos olhares se cruzam, tendo estado em um repouso alheio a outros.
A parede você(a mais linda de todas) se engana ao tentar perceber qualquer sinal de atenção, mas quando nossos olhares se cruzam, parede à parede, de lhe para te, de mim para tu, de todos os tratamentos que podemos nos relacionar, estamos presos a alguma atenção em comum. Uma atenção igual àquelas paredes, paralelas, unidas pelo vazio piso, e enfeitada pelos móveis da sala.
Felipe Sousa Cerqueira.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O seu olhar

Estou atônito, nunca tive um olhar tão inspirador. É algo antigo, eu sei, meio fora de forma, esse sentimentalismo.
Ela faz só para me provocar, não é possível, me olha. Ora me concerta, ora me "des". Prefiro a segunda opção, lembra a minha existencia, que estou ativo a sentir algo, mas depois sempre morre, na ânsia de me sentir bem, abafo todo e qualquer sentimento lembrando dos passados que tive.
Mas, quem sabe não esteja pronto? É uma nova fase, uma nova peça. A minha vida tem um sentido, basta descobrir qual é! Se está no seu olhar desconcertante, ou no lado que me põe no lugar, seu colo.
Felipe Sousa Cerqueira.

Castelos

Heróis. Existem, aqui, no meu quarto, vários castelos, cada um com sua dona, com seu cheiro, sua música, se fervor. Há aqui a tensão da rotina. Castelos desmoronados, de todas, mas o seu ainda há aqui, no meu quarto, com você Dona, com seu cheiro, ao som do meu violão. Fervendo, tudo isso no meu coração. Quarto velho.

Felipe Sousa Cerqueira.

sábado, 14 de agosto de 2010

amanhã, vou comer amanhã;
amanhã, vou comer a manhã.



Para Suzane Cipriano Reis.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

EGO

Havia um garoto, seu nome era Ego. Uma criatura esguia, branca como a neve, e de olhos claros. Mas Ego amava! Não a visinha: a morena bonita, dotada de um quadril bem distribuido ao corpo firme e bonito, da pele cor de caramelo. Não por ela. Nem pela menina de sua classe, que considerava a mais linda de todas: tinha a pele alva como o luar do paraíso atômico, carregava no olhar o brilho da felicidade mansa, o sorriso lapidado como um diamante, cabelos encaracolados e castanhos como o mesmo caramelo da anterior. Ego amava o espelho, por que só nele podia sentir-se verdadeiro, não precisava fingir romantismo, nem lágrimas, aquilo para ele era real, era um retrato do seu ego.
Tudo era tão igual para Ego, mas houve um dia, em que tudo mudou, houve um alguem, uma mulher. E então tudo mudou! Ego não era mais o mesmo, de verdade no espelho, era uma cópia barateada por um ridículo sentimento, que, segundo ele, não existia. Via-se em plena exelencia beleza, e então era só acontecer, só pensar nela, naquela tarde, noite, manhã que passavam juntos, e seu rosto corava, de vergonha de si próprio, de vergonha da sua verdade, do seu ego. Ego estava amando.
Então o mundo( e o ego) de Ego desmoronava, toda vez que a via, tinha que dividir a beleza da sua felicidade com alguém e isso o deixava furioso, e ao mesmo tempo tímido de sinceridade por conta do seu sentimento. Ego não sabia o que fazer, onde estava o seu ego assassino que convencia sempre as mulheres?! Chegava perto dela e não conseguia articular palavra alguma, e sempre se perguntava: "Meu Deus o que aconteceu com o meu ego?". Não havia sumido, havia se tornado inútil, os encontros com ela eram sempre tão brilhantes que Ego se esquecia que tinha um ego, tudo era ela, tudo era estar ali! Mas o problema vinha depois, quando estava só, tambem não tinha ego, só tinha ela, em mente.
Quando tudo se parecia perdido para Ego e o seu ego, aconteceu! O beijo! E alí Ego viu onde havia depositado o seu ego, o seu amor por si, Ego havia deixado o seu ego no amor por ela. Mas, querendo ou não, ainda era Ego, mesmo que longe dela, fosse só um nome para ele.

Felipe Sousa Cerqueira.

Cartão

Por que todo amor bem sucedido é seguido de uma fase cheia de adornos melancólicos cheios de morte e dor? Isso é muito estranho. Quando estamos tristes parece que nunca fomos felizes, e cada lembrança de felicidade é uma tortura sem trégua. Cada cartão de visita tem um significado, alguns um senso tão hiperbole, outros tão simples. Mas, no fundo todo cartão tem dor, tem saudade, sente. Todo cartão vale mais do que qualquer presente feito a mão, cartões são para toda a vida, ou, para todo o sempre. Tristes e guardados no fundo de um armário.

Felipe Sousa Cerqueira.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

À mulher mais linda de todas

O que quer que seja, quando acontece, tem um sentido, meio oblícuo, meio vivo, ou completamente sem noção - mas acontece. Troca de olhares com a mulher mais linda que conheço, meu Deus, para que uma mulher igual aquela? Para torturar os pobres corações definhados?(como o meu). Não a amo, mas(não sei por quer) não consigo parar de olha-la, é de uma beleza insuportável.
Tenho em mente canções para ela, mas não canto por que sua beleza não merece a tristeza da minha voz, ou a meiguice do meu apreço. Não sei por que, esse texto é uma confusão total, tenho a mania de voar em devaneios tolos, ir até lá, olhar naqueles olhinhos meigos de menina, e quando o sorriso acontece?! Ah! Nem sei se é possivel sonhar com algo assim, seria tanta vontade de continuar sonhando que invernaria verões e veranearia invernos. Isso sem contar com todo o conjunto, o qual o semblante é o que mais se destaca, com uma inocência, e pureza de domar qualquer leão, de tirar qualquer animal do seu cio mais intenso, é um ímpeto anjelical, de caráter divino e puro. Queria ser o seu espelho, mulher mais linda de todas.


Felipe Sousa Cerqueira.

Consuelo

Nem a conheço, e ja tenho uma grande estima. A primeira(e unica) vez que a vi, parecia uma flor, que desabrochava bem a minha frente, era cautelosa, mas a sua beleza chamava atenção, cabelo preso, quadril largo, cintura fina e busto pequeno. Os cabelos cacheados, um emaranhado de vida, de felicidade, o rosto tinha traços anjelicais, miúdo, olhos cheios de ego, nariz empinado. O seu vestido foi o que me levou a escrever sobre ela, ja vi muitas mulheres bonitas na rua, mas não como aquela, com aquele vestido: era preto, com flores, do tipo amor perfeito, aquilo caia-lhe tão bem, combinava com cada qualidade, e, também, cada defeito oblícuo em seu marcapasso estéril de tristeza, foi aquilo, que mais me chamava atenção, o dom dela ter ao mesmo tempo uma rude e esgoista beleza, e ser como um anjo(vestida de preto) que apareceu ali só para que a visse, e depois desapareceu. Dei-lhe nome: Consuelo!

Felipe Sousa Cerqueira

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Prólogo de Fim de Semana I

Acendam algum fogo no pacífico.
Todo mundo, afinal, precisa de alguém.
Entende-se roupa como suvenir.
Nessecita-se de luxo.
Sensação de bem estar.
Toda modelo é magra.
Ninguem sai bonito em foto 3x4.
Como se faz um quebra cabeça?
E como é você sem mim?
As vezes falta alguma coisa.
Na cozinha se enche a barriga.
Te vejo, amanhã, num restaurante

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Alguém precisa ajudar o Pacífico!
Todo mundo, afinal, tem um fogo!
Nessecita-se de roupas!
Luxo? É um suvenir!
Bem estar é ser magra?
Modelo sensação?
Eu sou feio? E você?
Monte um quebra-cabeças com fotos 3x4!
Você sente a minha falta?
Com você alguma coisa muda!
Amanhã eu vou na cozinha!
E encher a barriga num restaurante!

Felipe Sousa Cerqueira.

Amor e esquizofrenia

Andava por aí, numa rua dessas com a iluminação nem caos, nem olofote. Pensando, em bobagens como paixões do passado que vem à cabeça de repente, as vezes causam tanta vertigem que dá sono. Então o som dos passos se mutiplicam como em um concerto de pés aflitos. Olhou para traz. Nada. "Que coisa tola, me pareci esquizofrênico agora" pensou.
Voltando aos pensamentos, planejou meticulosamente os planos de felicidade com aquela mulher. Ou seria menina. Olhou para traz. Mais uma vez o deserto da rua era o único companheiro. Acabou por escolher entre seus planos, os das lembranças, tinha que analisar o passado, para não cometer os mesmos erros("que coisa clichê", disse um pensamento cortante).
Voltou no dia em que a conheceu, ele era idiota mas, extrovertido e irreverente(isso mudou depois do priemeiro beijo entre eles), então ser tão extrovertido não funcionava mais, por que causava certo desconforto. Olhou para traz, só conseguia ver no muro de uma casa, como um telão as cenas das declarações afoitas e subjetivas, que não deram certo! Voltou a pensar em sua felicidade ultima, que ela trazia de volta, o amor(de que fugia ainda) mas também a certeza do sucesso da relação, só precisava de tempo, e conhece-la mais a fio.
Quantos pensamentos da esquina para casa, e quanta mania de perseguição, esquizofrenia. Mas nunca era nada, talvez só as lembranças confortantes que trouxeram de volta o seu amor(aos poucos). Ou talvez todos sejamos um pouco esquizofrênicos quando se trata de amor e lembranças.
Nunca é um nada. Sempre é tudo.

Felipe Sousa Cerqueira.

Arrependido

O arrependimento por escrever algo ruim matuta a minha cabeça de uma maneira tão intrigante e insuportável que nem sei onde vou parar em sonho e na presença dos amigos. Deixe-me falar de amor(de novo), mas dessa vez até chegar ao meu arrependimento.
A minha verdade é que, com tanta coisa para escrever, tantos temas legais, me limito a só um, o amor. Pessoalmente quando me refiro a esse tema chego a ser impertinente. É a minha falsidade diária, fugir de uma coisa que me vem puxando pela nuca desde a ultima vez que admiti. Quando se está em sonho, devaneio, ou seja lá como queira se referir, tudo fica tão mais sublime e inédito que "parece até um filme". quantas pessoas já não se perguntaram isso?
E estou arrependido por fugir e por condenar os meus poemas.

Felipe Sousa Cerqueira.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Fim de Tarde

Naquele fim de tarde,
sem timidez, chovia! O vento em minha pele arde,
como o calor da ultima vez jazia.

Avistei-te, a me esperar,
e, num instante senti, amar.
Entrei! Os devaneios foram ficando,
quem diria que estou amando.

Lá mantive-me torto,
o meu olhar quase morto
nem tentava te espiar.

E fui eu quem subiu ao céu,
aproximei de te encontrar,
e ainda tenho medo, de olhar, no teu olhar.

Felipe Sousa Cerqueira.

domingo, 18 de julho de 2010

Maçã

"A maçã". Sabe, o propósito da música do nosso Raul Seixas foi outro menos absurdo do que esse aqui:
-Tive um devaneio agora pouco, conversei(com quem?), parei, e refleti, e então veio: Maçã! É isso, o que me faltava era escrever, a maçã.
Que não seja uma dessas personagens que só me trazem problemas.
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Maçã.

Um dia eu vou te dizer o que eu sinto, quando eu sentir, e quando esse dia chegar, você será dois tipos de mulher, duas bandas da maçã, uma que está satisfeita com o que fez, involuntariamente. Transformou água em vinho, o descrente em crente, o cego em vigia, o homem em animal. Enfim, o crespo em puro. Falemos do outro lado! O lado cego, o lado que regeita, a mulher! Aliás, aquelas que sempre dizem as mesmas coisas, sobre a falta de reciprocidade pelos sentimentos alheios.
Por um lado, isso tudo, se acontecer, será bom, não analizemos as mulheres com seus defeitos, ou qualidades individuais, analizemos elas por serem, por si só, um todo.
Uma maçã.

Felipe Sousa Cerqueira.

Shh(!)

Há um homem.
-Shh!
Não, um menino, por traz de uma máquina.
-Shh!
Não, droga, é um homem mesmo, aliás, uma máquina robusta, anti-sentimento.
-Shh! Você é insensível!
Que garoto tolo esse homem-máquina-robusta, não consegue escrever nada com sentido, se não haver uma musa inspiradora.
-Shh! Agora você é um galinha.
Merda!
Do inicio então.
Te amo meu amor!
-Shh! Assim você vai assusta-la. Tente ser você!
Não dá!
-!
Talvez o mundo seja uma grande exclamação, com todas as discursões, políticas ou não, ambientais ou não(tá na moda). E o "cale-se!"? Onde foi parar?
-Shh! Tá por aí usando uma roupa colorida animando as pessoas, seu bobo.
É, isso! Aham! Talvez em tudo que eu olhe tenha a minha ignorancia poética, para ser analizado como uma exclamação!
-Shh! Agora você está sendo confuso, tá bêbado?
Dessa vez não!
Não me faça fugir do assunto. Aliás, que assunto? Hoje eu tenho uma musa? Ahh! Tenho sim! Aquela, a qual chamei fruta madura!
-Shh! Não se entregue.
Tudo isso foi uma tentativa de escrever um texto? Só para agradar? Meu Deus! Talvez o mundo não seja mais uma exclamação, talvez seja um grande...
-Shh!...

Felipe Sousa Cerqueira.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Confissão

-Como pôde fazer isso comigo?! Por que ela? Eu não entendo!
Enquanto ela reclamava, com a voz aguda e trêmula da separação(um mês). Ele a observava com olhar de medida, com uma alto estima assustadoramente superior, que esmagava qualquer sentimento, ela já não o conhecia, ou ao menos não queria acreditar em tal. Ele era mais forte, ou, pelo menos havia se tornado. E num suspiro disse com tamanha frieza que congelou qualquer possibilidade de não haver ciumes da parte dela:
-Eu simplesmente fiz, deu vontade, e não foi por más intenções. Você não me esqueceu?
Essa era sua grande dúvida, era tudo que queria saber. O que tinha de objetivo, ela tinha de mistério.
-Só pergunto por perguntar, eu só não entendi por que ela, assim do nada?
Havia nela agora uma ar de superioridade, de querer vencer a discurção.
-Foi por falta do que fazer, ela é bonita, eu resolvi escrever, a situação foi engraçada.
"Ela é bonita..." houve uma pausa. No fim, as intenções dele eram de conseguir uma prova, se não fosse por palavras, que fosse por ciúmes. Estava conseguindo!
-As minha amigas...-por que as mulheres apelam para as amigas?!- dizem que ela é feia...
-Mas foi a única que apoiou as minhas opiniões, eu tinha que agradecer.
-Agora é você diz que foi por agradecimento? Ela não é bonita?-olha o ciúme mulher- Eu quero uma explicação lógica, porque você escreveu para ela?
-Tá bom! Precisava de uma inspiração, a vi! E pronto, aconteceu! Listras! Foi isso, saiu bom o texto não?
-Não sei! Não foi para mim!
-Você está com ciúmes, amorzinho?
-Não me chame assim, você sabe que não gosto - fez questão de ressaltar o pronome, assim como ele fez questão do adjetivo - e eu não estou com ciúmes.
Acabava de se entregar pelo olhar, que ela já conhecia fazia um ano, um olhar que pede carinho, que pede colo e ombro.
-Sabe, eu vou embora!
Levantou-se e saiu, e ela ficou, a mercê de qualquer sentimento insolente que viesse afligir. Exitou em olhar para traz, e lembrou de quando quis voltar para fazer um cena de filme com sua amada, mas aquele era o fim, confinado, pelo ciúme, a confissão, que havia conseguido com sua mente de apaixonado racional.

Felipe Sousa Cerqueira.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Um Flash.

Que esse flash seja eterno,
cegue corações de multidões.
Minha amizade, que vem do leito materno,
por ti, luz que cega, pendura corações e emoções.

Tenho a uma amiga,
que não tenho em todo caso.
A proximidade com a distância castiga,
e da minha ansiedade surge o acaso.

Que teus olhos, reflitam sempre às lentes,
dos flashes que te cegam, corações e emoções.
Teu sorriso, desenha em maçãs de vermelho quente,
a avidez de tornados e furacões.

Que eu te tenha como amiga, para sempre
mesmo que seja dependendo do acaso.
Que meus olhos, reflitam em suas lentes,
os meus medos, futuros, e pecados.

E seja, dito por tamanha castidade,
que no meu peito ressalta um reflexo tardio,
esse acaso, em todos os casos, se torne amizade,
e encha o meu peito vazio.

Fico agradecido por ter encontrado,
flashs, consolos, palavras bonitas - sinceridade.
Espero um dia, que fique em fotografia, eternizado,
um flash, que brilha, da nossa amizade.

À Kathele Santos.

Felipe Sousa Cerqueira.

domingo, 11 de julho de 2010

Saudade Ávida

A saudade é escura como seus olhos,
tem sinal de falha, abreviação e desventura.
Olhos, esses negros, que,
quando me olham, me levam à loucura.
Saudade ávida que tem tudo que quer,
tem a mim, e a ti, teus olhos, meu medo.
Tenho tudo que quero, tenho você,
saudade perjurada em segredo.
Ter em mente, olhos, boca e nariz,
sinais esquerdos. Pedir para beijar.
Ah! Declarações de amor não fiz,
mas juras secretas tive, no sonho secreto de amar.
Não importa quando, nem onde,
vou te encontrar, sem ansiedade.
Aqui, ali ou em qualquer lugar,
onde eu possa me ter em você, com saudade.
Felipe Sousa Cerqueira.

Eterna Criança

Devaneios infantis, foi o que sempre esteve em minhas mãos, infantis. Era o que todas diziam, a primeira, a segunda, a terceira, e as inúmeras mulheres. Eu sou uma criança.
Na verdade, disso nunca fugi. Quer dizer, no início achava um problemão, mas, depois descobri que estava no meu destino. Não estou falando de ser uma criança para sempre, mas de divertir e dar luz aos ambientes, é o que essas fazem - é o que vocês buscam neste blog.

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Sabe que tenho uma sede de te fazer feliz. Uma sede de você, de te ver, a qualquer hora. Incrível!
Devaneios que reprimi, e que agora, surgem a qualquer hora do dia, sem que precise mostrar, me basta um sorriso bobo, um olhar afável, um aperto de mão com boas intenções, isso hoje é meu devaneio infantil, é o que traz você ao meu mundo, o que tirou muitas mulheres, traz, agora, a mais incrível de todas. Só de te ter em meus pensamentos, trazendo sorrisos, olhares e gestos, é o que me cura. Sou sua eterna criança.


Felipe Sousa Cerqueira.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Fruta Madura II (Clímax)

Quando senti aquilo, tive uma ânsia de correr gritando, até que me levassem ao manicômio, só para poder guardar o segredo das flores. Morreria comigo, e ninguém iria saber, que aquela pele borrifava a maior dádiva do mundo. "Fruta madura!", disse comigo mesmo. A vertigem veio de intrusa, concordou em limpar a 'desesperança', e senti mais borrifos, meu Deus, ainda sonho. Sonhei, estive no meu clímax sentimental, então desci, num pulo de herói. Caí! Tapete colorido. Aquilo era mais que um cheiro, ou uma dança, ou um simples clímax sentimental. Era algo que me dizia pra seguir -subir, e cair, até que na ultima queda, trouxesse não só a lembrança, mas a fonte do cheiro. A pele. A fruta madura. ELA.

Felipe Sousa Cerqueira.

Fruta Madura

Num abraço, tive conforto,
num beijo fui ao céu.
Àquela voz decolei como gafanhoto,
Desci à tua pele, encontrei mel.

Abraço macio, maçã
beijo que ganhei, hortelã.
Voz encantadora, romã
cheiro da pele, avelã.

E nesse olhar, cor de jabuticaba
tive vertigem, e na sacada,
vi que era rei.

E céu e mar, num só se fez.
Ah negros olhos! Encontrei minha cura.
Como te disse meu bem, tu és fruta madura.

Felipe Sousa Cerqueira

Sagradas Noites

A noite é uma dádiva, um periodo onde acontecem os rituais mais sagrados, as coisas mais sagradas, e até impossíveis. Mas hoje falamos só do impossível. É assim que começa essa chave(não chamo de texto), que abriu minha cabeça e tirou de lá a esperança, trouxe-a para respirar, quarar. Terminemos esse blá-blá e vamos direto ao assunto.
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Naquela noite, comecei como todas as noites, sem muita esperança de que terminasse bem. Anteriormente tudo estava muito normal, a rotina, o contentamento com o pouco, mas, como diz aquela frase clichê: "Há sempre uma luz no fim do túnel". E nunca iria imaginar que essa luz viria de uma lanterna quase que apagada.
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Lá estava ela, metida em si, mas não metida como todos os metidos ficam, mesquinhos e falsos, mas de uma maneira que o mistério se torna charme. Aquele charme me doía desde que nos conhecemos, "mas ja tive a minha chance! esqueça!", pensei. Depois de uma queda pelo passado, tive uma reação inesperada, chamei-a para dançar. E dancei. Fui até timido quanto aos meus sentimentos. Há um pior que me ajudou.
Me abri, disse o que tinha pra dizer, que estava engasgado, dançando, havia orgulho ainda, e cautela, vivi dizendo: "o amor não existe". E! Ali estava o cético, sendo surpreendido pelo impulso dominante que foi, vendo aquela mulher, tentar de novo.
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Quem fui? Em que acredito? Me pergunto isso hoje, por que a dias atras fingia ser feliz para agradar os meus amigos, e funcionava, hoje posso passar uma felicidade, sincera e barata, por que sei, ela existe! E a felicidade tambem! Só de existir! Fico pensando, aqui metido, daquele geito misterioso, so assim ela me faz e me fez feliz. O 'nunca' pode ser uma palavra ilógica, se a desejarmos, mas eu posso dizer convicto, que NUNCA tinha me acontecido, por mais amores, e por mais mulheres, NUNCA estive satisfeito em imaginar alguém perfeito, e esse alguém realmente ser real, só de imaginar. O pior, existiu uma reciprocidade ainda mais inacreditável, que me deixava cada vez mais boquiaberto, e menos cético. Mudei: "Talvez o amor exista". Ou então aquilo tudo foi capricho do destino. Tenho uma estranha certeza de que não foi.
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Estava-mos ali, de algum modo, juntos. Íntimos e ao mesmo tempo, tímidos. Íntimos em conversas absurdas sobre o esclarecimento do presente, em relação a nossa "amadurescência".
Tímidos pelos carinhos indiretos, apertos de mão durante a dança, uma 'tara' tão infantil que me trouxe uma Felicidade inacreditável(estranho também). E fui inocente, ali, com ela me afagando, me tendo de uma maneira, não pude resistir. Tudo se esclareceu. A luz clichê do fim do túnel.
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Aproveitem as noites! Sagradas noites!

Felipe Sousa Cerqueira.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Jardim.

Na passarela incerta que leva a noite à madrugada, penso em como fui feliz.
O campo, onde se planta a felicidade, é limpo, belo. O meu foi magnífico, onde há um poço, há sempre a água que irriga a felicidade.
Plantava muito, cuidava todos os dias, mesmo que as pessoas, as quais comiam e bebiam da minha felicidade, não dessem valor ou reconhecimento, o poço tinha a água mais limpa e pura que alguem ja bebeu, ou se banhou, as cores do campo, utópicas, e apaixonadas.
Hoje, choro, planto nada, e só cuido do que eu quero ter pra sempre, poucas flores, algumas até rosas, de amor, de paixão, ou desses semtimentos vertiginosos, as pessoas dão mais valor aos produtos da horta, são produtos raros, caros. Da água do poço, tem um gosto peculiar, nem doce nem salgado, o cheiro, nem fede nem cheira, é uma água em total desarmonia com a natureza, e muitos ainda bebem, nessa água, está afogada todo o passado do jardim, está a minha felicidade. Afogada.
Felipe Sousa Cerqueira.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Terapeutas do Amor (Dênis)

Em um anuncio, desses de pouca importancia que se prega nas possilgas mais fétidas:
"Você tem um amor secreto? Que as vezes até duvide da sua existencia? Amor pela mulher do visinho? Pela sua aluna mais inteligente? Amor pela garçonete daquele restaurante ruim? Pela professora? Não importa qual seja o seu amor, escreva para nós, somos os terapeutas do amor -se é que ele existe.
Desabafar é sempre bom."
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Ao ler aquilo, sentiu vontade de pedir outra dose de wisque, e continuar, sem pensamentos e cartazes tolos, aquela noite boêmia. Algo dentro dele dizia que precisava disso para contar ao mundo, com todos os detalhes, o seu amor, que repousava anos de conformação dentro do nosso querido amante enbriagado.
Chamou o garçom em um gesto pesado e cansado, como são os da embriaguez, e pediu outra dose de wisque. Sem gelo! Tirou da bolsa, que sempre levava consigo, um lapis e escreveu ali mesmo em um guardanapo, seco, em meio a tanta umidade suja.
"Eu tinha amigos, era um rapaz jovial, as meninas atravessavam a rua para falar comigo, paravam atividades, até o trânsito. Mas naquele dia tudo mudou, conheci uma menina um tanto quanto estranha, sua aparencia me encantava, aquele sorriso, nunca tinha visto nada igual, os olhos, penetravam minha face corando-a, a atenção que eu concentrava naquela beleza, me causou no futuro uma forte enxaqueca seguida de pessimismo. O que me levou a esquecer aquela mulher.
Esquecido o assunto, um belo dia, recebo um telefonema, de uma pessoa que nunca havia me dado atenção, ela, dizia 'saudades' e todo o blá-blá confuso das mulheres, descobri que podia vê-la todo inicio de semana, enquanto ia estudar. Seu nome não é importante agora, tenho que ser sutil, sou bonito, não tenho nada a perder e não quero ganhar nada. O que tenho a dizer é a forma como anda me tratando ultimamente, como se percebesse que tenho uma autoestima inquebrável. Isso encanta as mulheres, fortes doses de autoestima, mas, o que me encanta agora, são as fortes doses dessa bebida que bebo para esquece-la, mais uma vez.
Dênis."
Felipe Sousa Cerqueira.

domingo, 9 de maio de 2010

O amor é sonho(desumano).

É tão cintilante, a incapacidade que tenho, de não perceber
que o que me ronda está longínquo, e ao mesmo tempo perto.
Não pego, sinto. Invisível, que posso ter
na distancia de uma loucura plácida, o futuro é sempre incerto.

A incerteza, confusa, torna-se gratificante,
sem que amigos percebam, vou a outra dimensão.
A musica toca, bailarinos enbriagados, cantam alegremente
a demasia é chata e vulgar, as vezes, quando se trata de paixão.

Mãos femininas, unhas ferinas, afagam minhas costas sonhando,
abraço aquela sensação de ser amado, sou errante!
Vago naquele beijo tão sonhado, e desumano.

Acordo, a distancia me atinge como um raio rasgando,
todo e qualquer amargor, que vem das entranhas do amor,
Sonho, sou errante. Desumano, apaixonado.

Felipe Sousa Cerqueira.

domingo, 25 de abril de 2010

Quarto Escuro/Beijo Divã

Não sei descrever sensações, principalmente aquela indescritível. A pior aflição é aquela que não conseguimos identificar, mas que no fundo sei o que é, e, não queremos adimitir. Vou tentar descrever.
Imagine um quarto, escuro e cheio de gritos, onde se escutam pensamentos, e, ao mesmo tempo que eles estão sendo processados estão se esvaindo... é realmente um quarto assustador. Agora existe no final daquela escuridão confusa, um ponto, uma brecha, uma estrela. Vou colocar melhor, uma fechadura que, como todas as outras que trancam quartos, brilha, um mísero ponto, no meio do breu. Parece que quando o som do quarto torna-se mais insuportável, e que quanto mais insuportável fica, mais desistente da vida ficamos, sempre aparece alguem com a chave desse maldito quarto. A chave é um beijo. Um beijo que dá a luz ao quarto, que some com os pensamentos dolorosos. Quem vem com o beijo e a luz, vem com o cheiro, e deixa o impregnado na roupa. Ah! Que beijo! O chamo de beijo divã!
Divã por que é como se saissemos de uma sessao com o analista, como se entregassemos os problemas ao grande beijo, na verdade, ao pequeno espaço de beijar.
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É nesse pequeno espaço que desabafo sem dizer uma palavra, que morro sem perder a vida, que me desligo do mundo mesmo que ele acabe, é nesse espaço que me deito no divã, sem ao menos deitar.
Felipe Sousa Cerqueira.

sábado, 24 de abril de 2010

Quando abro um livro

Quando abro um livro não sei o que me espera, por mais que a capa seja bonita e ipnotizante há sempre uma contradição em relação ao que realmente diz o enredo. Assim é a vida. Acordo hoje, vejo um céu limpo e lindo, mas não sei o que realmente aquele céu, que destaca o dia, quer de mim. Posso passar por uma esquina e ver a mulher da minha vida, sem perceber quem ela realmente é. Entro na padaria e vejo um senhor, que pode vir a ser um grande amigo, em outro dia, que talvez, não faça sol, ou talvez nem seja dia.
O mais estranho são as situações que atribuo a filmes que assisto, ou a romances que leio. Aquela namorada que um dia disse -"eu te amo"- e em outro disse -"não dá mais"-, por mais que a indiferença fique, é a lei feminina, passar por mim e olhar com aquele olhar de despir, e dizer um "oi" tão chulo que acaba com o céu lindo e azul que encontro ao acordar. O meu dia acaba e fecho o livro.

Felipe Sousa Cerqueira

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Frio

É Páscoa, sou uma peça de qualquer guarda-roupa que só se usa nesta época do ano, em que tempo é frio, contraditório ao que eu passo as pessoas. Sonho eu, roupa velha e mal usada que sou, com aquele chuvisco em que se abraçavam os namorados, trocando seus perfumes, um dia um perfume ficou em mim, impregnado! Impregnando todo o meu guarda-roupa. O meu companheiro, que descança comigo, é o mofo. As naftalinas se dissolvem, como uma paixão de verão, inimigo! Muita gente não me tem, mas queria, por passar aquelas noites frias, a fio, a sós. Aquele velho agasalho, que um dia guardou o perfume da pessoa amada, que um dia protegeu da chuva, que talvez, fez lembrar que a saudade não é solidão, que o abraço não é vago, e que o frio, fora da realidade de suas mangas é sincero, como o amor a quem pertence.

Felipe Sousa Cerqueira

segunda-feira, 29 de março de 2010

Ser o amor

Pela primeira vez eu entro aqui sem saber o que vou realmente escrever, não sei se a partir daqui crio um personagem, para se tornar melhor o entendimento, ou se sou direto.
O personagem da vez é o mais presente em nossas vidas, que a gente sabe de cor, que o destino prega, pobre a gente! AMOR!
O grande personagem que inspirou os mais diversos autores e, até eu que sou uma pessoa(não sei se podemos chamar de autor) "clara" digamos assim.
A personificação desse sentimento eu não sei como farei(não uso rascunho pela primeira vez ao escrever um texto aqui).
A vida começa a partir do primeiro palpitar do coração, agora, pergunto a vocês leitores:
Quantas vezes isso vai acontecer na sua vida?
Em outros momentos a gente passa a brincar com os nossos brinquedos, depois passa a conhecer os colegas da escola(ainda com os brinquedos), até um momento em que o nosso unico brinquedo é a nossa propria vida, que a gente usa como um jogo de tabuleiro, jogando o dado para ver no que vai dar. Talvez esteja errado, mas quantos de nós não nos usamos nas mais diversas situações?! Sendo que nestas a gente pense no auto-controle?!
Eu respondo a vocês, como uma pessoa clara, que a culpa disso tudo, que geralmente a gente põe no amor depositado nas outras pessoas, é culpa de nós mesmos, que não nos amamos o suficiente para aceitar a perda do outro e blá blá!
Depois de meses fugindo da minha verdade, talvez da verdade do SER, que é amar.
A certeza do precipício, é o medo de sofrer, do estar, do sentir, que hoje é morto, assim como o meu amor foi um dia!

Felipe Sousa Cerqueira.

quarta-feira, 3 de março de 2010

II

As coisas agora se descomplicam na mesma velocidade em que se complicam novamente e discorrer sobre saudade, ausência e solidão faz doer muita coisa em mim. O tempo do próximo passo em falso está sendo cronometrado em qualquer relógio vagabundo no pulso do destino e eu, vestido com esses trapos da condição humana, simplesmente sigo em direção a próxima queda do próximo abismo, irracional como um cão e como todos os outros.
Enquanto eu brinco de hoje, um amanhã qualquer é esboçado no pano do vão com nanquin e no palco do agora em mim, alguma representação medíocre de um texto de Caio Fernando Abreu se desenvolve lentamente, como uma tortura com qualquer finalidade doentia. Repousam ainda, em meus olhos, as últimas imagens relevantes que se repetem numa montagem privada, toda minha, e eu, como único e doentio expectador as repito, tentando encontrar no meio de toda essa parafernália - todas essas sensações cotidianas como sabores, cheiros e sons que aderem a minha existência como pequenos suvenires – alguma imagem que me remeta àquele antigo espaço de tempo onde eu realmente me sentia vivo, seguro; onde eu realmente sentia meu eu.
Me perco agora por entre essas colunas de marfim que se estendem imponentes em meu peito, me perco nesse hiato e canso de me perder. Não descanso, pois foi o que me sobrou desde que tudo em mim desvaneceu, virou cinza e não existem essas tais aves mitológicas, que dramática e significativamente ressurgem das cinzas. Existe apenas eu e todo o resto da humanidade, tentando encontrar um motivo razoável para continuar martelando os dedos em vez do prego.
Kauam

Espiga de milho loiro

Espiga de milho loiro,
Adeus fraternidade,
Não fazem sentido às palavras,
Mas são escritas com saudade.

Qualquer coisa à toa
Ressoa do ventilador de teto,
Não faz também muito tempo
Que eu perdi o chão e o tato,
No ato,
Na coisa racional,
Criada nesse hiato.

Azedo como limão,
E doce como beijos fresquinhos,
Agosto nem sempre trás desgosto
E eu sinto,
Antes de novembro,
Me deixaras sozinho.

Num vinho,
Vendo todo pequenininho,
Com o coração desfeito em caquinhos
E uma música bem dolorida
Rasgando a madrugada,
Tocando no radinho.

Não adianta planejar,
Não vale a pena me apaixonar
E nem gastar o francês
Com poesias de Baudelaire,
Eu sei que no fim de tudo,
Não restará nem mesmo o sonho,
Só eu, tristonho,
Cantando Caetano.

Kauam

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Rua da Lembrança [7] (FINAL)

Na varanda, conversavam, atrás deles a casa estava completamente vazia, ouvia-se o som dos ventos e da maré que quebrava-se nas rochas não muito longe dali. Ao pé deles estavam duas árvores, que impediam a visão total do horizonte, tudo escuro, era assustadora a sensação, como se estivessem no meio do nada, que o nada fosse infinitamente confuso, cheio de agonia sentimental, romântica! Digamos assim leitor.
O som dos mares ia cessando, as palavras e assuntos iam se extinguindo, até que mais uma vez o silêncio reinou, só que esse era diferente, era do acaso que reinava, cheio de pensamentos, de ambas as partes, que se definiam, ele, por um dia ruim e cheio de ‘estranhicies’, e ela pelos planos mal sucedidos. A partir daquele conjunto, depois da noite de pensamentos melancólicos, algo de mais estranho viria a acontecer, a lua se mostrara por entre as folhas das árvores, o cenário agora era de ópera, onde a natureza conspirava a favor dos nossos dois amigos, e tocava uma musica suavemente linda.
O vento gelado cantava num lugar que sempre pareceu o purgatório. As ‘estranhicies’ não foram embora, os cães começavam também a cantar, até ali o nosso Alfredo e a nossa Sinhá eram só amigos.
O rapaz pegou em sua mão, apertou como quem diz "somos atores da ópera da vida", o toque foi levemente suavizado, e então o ato mais estranho e mais belo da noite aconteceu, e não foi a mãe natureza quem fez.

O beijo!

Viajou em uma escuridão de pensamentos puros, os quais nunca tinha tido na vida, era como não deixar de cair de um precipício, no instante em que aquele tão sonhado afeto terminou, foi como se a queda acabasse em um mar de algodões perfumados com o cheiro da Sinhá, sentiu-se intensamente anestesiado.
Estranhamente lindo.

FIM.
Felipe Sousa Cerqueira.

Rua da Lembrança [6]

Aquela noite estava turva, lembro-me apenas do momento em que o futuro casal percebeu a beleza da lua, crescente! Como o sentimento que em algum momento nascera e que ali crescia, a lua parecia um sorriso, torto e tímido, que escondia as intenções do nosso herói, intenções que eram das melhores possiveis. Que mal há em revelar um sentimento que nunca sentiu?

Tudo girava em torno do casal, passaram em frente a um restaurante, dessas budegas boêmias que se encontram por ai, era torta, sombria, lá dentro uma musica melancolicamente linda tocava:

- É incrível como a vida nos escreve, dentro desse silencio que reinava estão escondidas muitas coisas que é melhor não se dizer. Disse a Sinhá, em sua primeira atuação pública de afeto para com o nosso amigo. Ele redarguiu:

- Que bom que a vida nos proporciona isso, sendo assim, eu não preciso revelar o que eu tenho a revelar, deixarei que a vida te diga isso. Um silencio, que durou os três maiores segundos da vida do nosso romântico, reinou!

- Você deixa tudo muito subentendido, e ja faz tempo que ela revelou isso a mim, meu querido. E eu, não preciso nem te revelar nada também não é?

- A senhora Vida me disse muita coisa também! Abraçaram-se.

Felipe Sousa Cerqueira.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Rua da Lembrança [5]

O sol cobria a serra, estava lindo. No céu, o vermelho do vestido, o sol dizendo ao nosso herói, Adeus!
Entrou na casa, a Sinhá havia saído, a saudade não o abatia mais, mas tinha um sentimento, começava a vontade louca de conta-lo a ela, o medo o afligia, olhou uma mesa de centro, e decidiu, "vou fazer um bilhete".

"Minha Sinhá, a tempos que venho tentando te revelar, algo que foi melancólico e assassino, na época em que as pessoas morriam de amor.
Hoje eu te digo Sinhá, não só por você me fazer tão bem, mas pelo fato dos seus olhos serem tão 'encantadores', não sei se essa seria a palavra certa, mas, vamos ao que interessa.
A paixão toma conta de mim Sinhá, ela é cega, me proporciona a visão da sua visão, onde, qualquer olhar dócil o bastante pode ser um pretexto para achar que esse sentimento é recíproco.
Eu posso estar errado, mas me entenda, dama de vermelho, dê-me uma chance de te mostrar, e eu serei o que você quiser, e se não quiser, eu serei alguém que você passará a querer, mais e mais.

Com todo o sentimento ainda engasgado...
Alfredo"

E foi assim que o nosso herói tentou revelar o seu segredo...

Felipe Sousa Cerqueira.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Conversa para toda a vida (a volta de Fernando)

Diálogos como este demoram uma vida para acontecer, é, talvez este seja o dialogo da vida, para uma vida inteira.

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Chegou a sua casa, iam sair, Fernando não sentia recentimento algum apesar da historia que traçara com essa garota. Estava pensando no tempo que perdera longe dela, pulemos essa parte, a historia é chata, vamos ao diálogo.
CHEGOU! Se comprimentaram com ar de relações públicas, quando iam tomar o caminho da rua, Fernando puxou-a pelo braço, como essas cenas, do amor mais dramático, de novela mexicana, olhou-a fixamente nos olhos, e beijou. "Doce Alice, minha doce Alice" pensava tão forte, que o seu coração palpitava por algum perdão sem motivo.
- Você é a melhor de todas, disse ele com os olhos tão penetrados aos dela que se via refletido nos mesmos.
- Não estrague tudo.
- Você prefere que eu seja a criança de antigamente?!
- Não! Ela respondeu colocando a mão na boca de Fernando. Seja você! Você é importante para mim pelo que você é.
Se beijaram, e dessa vez, as lembranças não tiveram sucesso quando tentavam entrar na mente de Fernando e sufocar-lhe o sentimento.
- Eu preciso te dizer...
- Não!! Isso não, por favor, eu não posso ouvir, tenho medo de te fazer sofrer, que nem da ultima vez...
- Isso não vai acontecer! disse Fernando antes que ela começasse outro discurso daqueles que matam as expectativas. Nada vai ser como foi, nada, tudo muda, se renova, até o amor é capaz disso, o meu amor, o nosso, tudo que precisamos é sufocar o tempo, por que não temos nenhum para dar, temos só amor, isso que importa, e esse amor, é intransponível, é pra vida toda...
Calou-se, pelo beijo que ela lhe deu.

Felipe Sousa Cerqueira.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Rua da Lembrança [4]

Tudo era cinza! Estava sentado na varanda, onde a viu pela primeira vez, não sabia quando iria vê-la novamente, lembrou-se do som do bandolim, dos olhos, do vestido, estes pequenos detalhes sempre tornaram-se cúmplices da saudade, então apareceu de repente, a dor! Dor de esconder um sentimento, coisa que nunca tinha feito antes. Sempre era impulsionado a amar,
impulsionado pelo tempo, pelo acaso, agora era induzido a esperar, "pelo quê?" Não sabia ao certo, não sabia nem se estava apaixonado de verdade, "mas aquela saudade?!" Algo novo acontecia, sentia o cheiro da Sinhá em toda a Rua, até nos lugares onde nem a havia levado.
Sinházinha, se você me der uma chance para que eu te mostre quem eu sou, para que eu possa construir uma lembrança alegre nessa minha rua de poesia morta!
A tarde, os pensamentos de saudade, a confusão do sentimento, tudo, era propício para aquele pensamento tolo, é aquele instante- quando o sentimento se torna tão forte que transborda, em lágrimas ou em palavras- tolo! O nosso herói buscou no fundo da alma derrotada em saudades, o som daquela canção, era tudo o que tinha, além do cinza.

Felipe Sousa Cerqueira.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O Olimpo não foi feito para sonhadores

E novamente eu tapei os meus ouvidos para a razão, razão essa que se desfez em pó, borrando toda a minha face que antes guardava algum semblante alegre e ligeiramente inteligente, e agora é só o mesmo velho trapo de sempre. E não importa quantas portas e muros venham se chocar contra a minha cara lavada; de rosto dilacerado, dentes em frangalho e nem uma dignidade, eu me levanto e trilho alguma nova estrada torta sob o sol escaldante deste verão nordestino. Está impresso em meu sangue, é questão de DNA. Agora me sinto vazio – ou melhor, cheio de nada – como um álibi desprezado, feito de palhaço por um circo de horrores onde ninguém se respeita e todos são meio Judas. Isso, a imagem e semelhança de Judas: demasiado humano.
Enquanto tomo outro gole de café frio e tento conceber qualquer razão para toda essa parafernália sentimental guardada em meus porões, eu penso que não me sobra nada além de discos, dores no joelho, uma tosse seca que eu ganhei por esses tempos e a minha constante tentativa de não ceder a minha vontade de fumar. Eu me sinto fraco para dar à cara a tapa novamente; me sinto fraco pra trilhar qualquer coisa que os meus amigos chamariam de ‘sensata’. Sensatez não é pra mim – não mesmo. Seria bom, quem sabe, aprender a jogar menos fichas na mesa, a não me dar tanto, a não me iludir tanto, a não acreditar tanto naquilo que a humanidade quase não acredita mais, eu que nunca quis seguir linha de pensamento alguma, me vejo surpreendido por uma vontade brutal de me calar, me conter e ser só. Só, comigo mesmo, eu ficarei muito melhor. Muito.
Não me cabem atitudes desumanas, não me cabem nem um dos doze trabalhos de Hércules, o Olimpo não foi feito para sonhadores. Cabe a mim continuar aqui, no meu quarto cheirando a derrota, cabe a mim deitar em minha cama métrica e chorar por algo que eu tenha perdido antes mesmo de conseguir; cabe a mim continuar a ser humano e me desfazer da fantasia ridícula de semi-deus; cabe a mim ir até a cozinha e apanhar outra xícara de café, pra ver se eu acordo deste sono profundo.
Kauam M.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Rua da Lembrança [3]

A SÓS! Em fim, sós. Estavam num lago, não muito longe da casa, sentados na beira dum cáis, com os pés na água, nosso amigo olhava para baixo, a sinhá olhava fixo para ele, quando nosso herói levantava a cabeça, se deparava com um par de olhos que, tingidos de preto, o fazia cair dentro de si mesmo. Os olhos, ah! Os olhos:
-"São cais noturnos cheios de adeus".
Até que aquele pensamento combinou com o momento. Num instante qualquer exitou em beijar a sinhá, tudo era mágico e perturbador ao mesmo tempo, como a paixão, a explosiva paixão, só foi um exito mesmo. Coragem lhe faltava, a moça era misteriosa, vestia um vestido vermelho, como o sangue que fervia nas veias do nosso amigo, estava tudo perfeito para um primeiro beijo, a noite, os olhos, o vestido, VERMELHO!
Felipe Sousa Cerqueira.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Rua da Lembrança [2]

Naquela mesma casinha, na rua da lembrança, o nosso amigo pôs a primeira mobilha, era um quadro que pintara observando a sinhá, aquela que tocava a musica doce no bandolim. A vida a partir daquele momento se tornava mais alegre, como as vidas vividas antes nas mansões vizinhas, isso contaremos em outro capítulo dessa historia, falemos do quadro.
O quadro se chamava "O sorriso que mata minh'alma", era uma arte como outra nunca vista, o estilo era Imprecionismo, inprecionante! Como aquele sorriso enchia de luz a sala de estar da casinha, parece estar vivo! Alegremente anestesiado pelos olhos do nosso romântico pintor, que dava à obra o toque sutil de felicidade do momento em que recebera o sorriso da princesinha, esta, não o olhava muito, talvez por isso o nosso amigo quisesse registrar aquele momento de rara beleza, que enchia a sua alma de alegria, que dava a sua vida a mesma luz que a sala da casa recebia.


Felipe Sousa Cerqueira.

Amizade

Tudo que desejamos é aquele sorriso, o mais sincero que ja se ouviu falar, o mais belo que ja se pôde ver.
Aquilo, chamamos, amizade, o amor puro de uma criança misturado na eternidade dos fatos que marcaram nossas vidas. Amizade de eterno brilho, que é comparada a um cristal, frágil.
Hoje, olho uma fotografia, e esta inicia um filme sem fim, de momentos bons, de momentos ruins e de despedidas, filme que só fica guardado na lembrança, o que seria da nossa vida sem a luz da amizade?! Tudo que quero é um dia sentar-me em uma cadeira de balanço, como fazia a minha avó, e tricotar as lembranças dos amigos e amigas que deixei para tras.
Há, no tear da vida, falhas que podemos chamar de: derrota, angustia, tristeza, raiva, despedida, entre muitos outros sentimentos ruins, e quem ajuda a tampar estas falhas são os amigos e amigas desta e talvez de outras vidas.
A despedida mata um coração de saudade, mas a distancia nunca venceu o amor, o amor de amigo.

"A amizade sincera, é um santo remédio, é um abrigo seguro, é natural da amizade, o abraço, o aperto de mão, o sorriso, por isso se for preciso, conte comigo, amigo disponha, lembre-se sempre que mesmo modesta, minha casa será sempre sua, amigo"...

Para: Isadora Carvalho.

Felipe Sousa Cerqueira.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Rua da Lembrança

Caminhava sozinho, em uma rua que parecia não ter fim, cada lembrança, triste ou feliz, ia recheando a rua como prédios, os não tão bem lapidados seriam as lembranças rápidas, os casebres sombrios seriam as lembranças esquecidas pela alma, os prédios ricos e de arquitetura genial seriam as lembranças alegres. Porem, das alegrias vem as tristezas, as decepções, e nada naquela rua vai ser perfeito, algumas construções podem parecer magnificas por fora, mas por dentro sempre há um cómodo triste.
Naquela rua, havia uma casa em construção, e o nosso personagem pôs-se a observa-la, era uma casinha simples, no meio de uma vizinhança de mansões tristes que traziam ao nosso herói recordações, algumas simples e alegres, outras doloridas e tristes. Mas aquela casinha não era uma casinha qualquer, nela havia uma princesa, sentada na varanda, ainda em construção, a princesinha tocava bandolim, um som que o nosso amigo admirava, que ouvia varias vezes em casa, aquilo por estar comum na sua rotina fez-lho se apaixonar não só pela perfeição da interpretação da melodia, mas também por quem a fazia.
É uma chance, no meio da rua das lembranças, aparece algo novo, que está se fazendo, algo que possa vir a ser um casebre sombrio, ou se transforme em algo magnífico, que aquela rua nunca viu.

Felipe Sousa Cerqueira.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Seu Carlos.

No carro voltando da borracharia:

- Olha a mulher gorda! Dá pra lutar karatê! Disse o velhinho, sempre como o seu ar de brincadeira, Flávio riu e corrigiu.
- É sumô! Achou curioso, o fato do avô ter dito "mulher gorda", bastava dizer "gorda", só que aquele "mulher gorda" soou tão engraçado.
- Da proxima vez você vai pra roça, lá é melhor de dirigir, tem um monte de ladeira, e alem do mais a pista de aviação tá cheia de lixo.
- É, hoje eu fui treinar ré e entrou um monte de mosca no carro.
- Êin? Éca, moscas!
Flávio riu novamente, nunca tinha visto o avô com nojo de nada...
- Aquilo é uma falta de respeito, tanto lixo, vidro, jogado ali, isso muda, deixa o avião de um deputado baixar por aqui e se embolar com um urubú, ai vc vai ver neguinho reformar a pista. Isso fica feio para a cidade...
- Além de foder com a natureza..
- Pois é!
- Até jegue tinha la! Disse Flávio com um ar de riso.
- É bom! Você faz de pedestre, vamos comprar uns cocos.

Felipe Sousa Cerqueira