É Páscoa, sou uma peça de qualquer guarda-roupa que só se usa nesta época do ano, em que tempo é frio, contraditório ao que eu passo as pessoas. Sonho eu, roupa velha e mal usada que sou, com aquele chuvisco em que se abraçavam os namorados, trocando seus perfumes, um dia um perfume ficou em mim, impregnado! Impregnando todo o meu guarda-roupa. O meu companheiro, que descança comigo, é o mofo. As naftalinas se dissolvem, como uma paixão de verão, inimigo! Muita gente não me tem, mas queria, por passar aquelas noites frias, a fio, a sós. Aquele velho agasalho, que um dia guardou o perfume da pessoa amada, que um dia protegeu da chuva, que talvez, fez lembrar que a saudade não é solidão, que o abraço não é vago, e que o frio, fora da realidade de suas mangas é sincero, como o amor a quem pertence.
Felipe Sousa Cerqueira
Nenhum comentário:
Postar um comentário