domingo, 27 de dezembro de 2009

Feliz qualquer coisa

Me pergunto agora quanto valem as coisas no campo emocional. Eu, me encontrando em meio a tantas rachaduras, tantas farpas, falhas, migalhas e restos. Num cesto de roupas sujas cheirando a limpa, no fundo de uma poça, no coração de alguém odiado, em meio a filme de horror, eu não sei. Justo agora que deveria me encontrar, agora que tudo parecia caminhar pra uma resignação, me encontro perdido em sabores que tão novos, que já os imagino velhos, mofados.
Eu não aprendo, e sexo por sexo não completa a outra metade de minha lua não tão misteriosa. Eu abro bastante a cavidade escura de minha boca e de lá não sai nem um som. Oco. Tropeço enquanto durmo e até mesmo o meu café escuro de cada dia tem me feito um mal terrível. Não ouço Dylan, nem Joplin, nem Paul, Nem Ringo, nem Mercedes Sosa, nem Carmem Miranda. Eu não ouço os alarmes que apitam de forma estridente todas as vezes que me vejo avançando o sinal vermelho ou desrespeitando o limite entre diversão e caos. Caos: enfim algo que me explique, simplificando.
Hoje sim, o cansaço repousa levemente seus braços sobre esse corpo tão cansado de outros corpos, que agora pousa como uma joaninha intrusa em qualquer flor que ouse perfumar um tom a mais. Eu não serei entendido, Nietzsche não foi entendi e Carlos Drummond de Andrade é frio como o cimento, José.
No fim, o que resta de bom pra guardar são dois ou três sorrisos, alguns silêncios, um adeus, duas transas, três gim-tônica, oito beijos, uma bebedeira, uma mulher, um rapaz, um borrão, alguns amigos, aquele livro da Zélia Gattai, aquele telefonema bacana, a voz segura da Nay, a manhã quinta-feira em Sergipe, o “fico” visto de cima, o cio no espelho, o cheiro de creme, a cor da saudade, o encontro de dois segundo, a gargalhada de alguém, os vinte Lucky Strikes, os dois Cannabis, as cuecas de um amigo, as roupas anos oitenta, a voz de Caetano... Aquele frevo-axé, quase nada que não canse e que não leve de mim um pedaço enorme, dolorido. É isso, com mais.
Kauam.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Um sonho ruim sobre amor

Em um sonho, Fernando se via perdido, confuso, amando. Cheio de perigos, o amor o confundia, o assustava, não era mais aquilo que queria, queria estar livre desse amor que tanto o incomoda.
O sonho parecia, para ele, um pesadelo, onde o amor era um monstro que o perseguia em um lugar onde tudo tinha um pouco de lembrança, e que quando vinha a calma, vinha o rosto da fada na sua mente, aquilo tudo era tão confuso e ao mesmo tempo tão excitante, e pela primeira vez nesses meses, amava a fada mesmo que por um instante.
Tudo aquilo que era confuso e assustador, passava a ser bonito, voltava a ser um sonho, tudo por causa da fada, que já não era tão maldita, o sonho era gostoso, era forte, agora ele e a fada caminhavam pelos caminhos excitantes do passado, e então, um raio de sol acabou com o sonho ruim sobre o amor.

Felipe Sousa Cerqueira.

domingo, 20 de dezembro de 2009

A morte do amor

Olhando a fotografia de Natbelle na sala:
"Lembro- me do dia em que veio me visitar, e trouxe a angústia de um amor que não deu certo junto com você, enquanto conversava com D. Lúcia, olhou para a fotografia, no porta-retrato que havia me dado, e comentou rindo, o sorriso mais cínico do mundo, 'olha! a foto', aquilo me pareceu tão engraçado, e agora, vendo meu semblante na fotografia, parece mais engraçado ainda, o que se esconde por traz do meu sorriso, tão mais cínico que o seu, hoje, é me olhar no espelho e vê que não preciso de moldura alguma para me sentir bem, eu só preciso ser eu, coisa que talvez nunca tenha sido para ninguém.
O que se esconde por traz da fotografia é a minha felicidade que parece morta, congelada, o abraço seco, a sua felicidade tanto cínica quanto o seu sorriso naquela visita. A máquina parou o tempo, o tempo mandou embora a felicidade para se vingar, a felicidade segurou o amor e pulou dum penhasco, e eu como bom contador de histórias que sou, usei esta foto como caixão, e o porta-retrato como cova."
Na lápide do amor de Fernando está escrito : "Tudo que é bom dura tempo necessário para ser inesquecível"

Felipe Sousa Cerqueira.

Um dia Monótono

Foi um dia chato para Fernando, não tinha feito nada demais, deixou de ir a um encontro com Margarida, e ficou em casa assistindo um filme novo de Quentin Tarantino, o seu dia estava ruim, acordara com o astral baixo, tudo por causa de uma critica que Natbelle havia feito sobre o seu blog:
-Isso tá feio! Tudo que você escreve sobre as meninas, parece que você está colocando umas contra as outras.
Aquilo ficou trancado, torturando-o por dentro, pensou em parar de escrever, em suicídio literário, pensou tanta coisa para deixar de pensar sobre aquilo, só que tudo havia sido em vão, passou quinta, sexta, sábado e no domingo lembrou de Clisba, lembrou o quanto precisava vê-lo, seu amigo, que pela primeira vez, não era um objeto, um violão ou algo do tipo.
Clisba era um amigo, só q um mistério para Fernando, era único para Fernando não só por que não sabia ao certo a sua escolha sexual, mas era também único pela consideração que Fernando tinha por ele.
Enfim, não conseguiu falar com Clisba, mas conseguiu tirar da cabeça alguma coisa, algum protesto, um que fosse importante, um que falava sobre Natbelle, só que dessa vez não se declarava, falava do poder que essa mulher exercia sobre ele, por causa de uma frase dita pela fada, esqueceu como se escrevia uma boa historia, mesmo que sobre um 'quarteto amoroso'.
No espaço de tempo que observo Fernando vejo conclusões e confusões, está chegando a hora, hora da escolha, que o faz pensar:
"Hoje, tenho tudo que quero, todas que quero, só que uma relação tão desorganizada e ao mesmo tempo tão gostosa de se viver, não é o que eu esperava, e então vem Natbelle e me diz um "oi" torto, e eu perco de vez a sanidade, então passei três dias louco, pensando em duas mulheres diferentes, uma que foi meu amor de infância, e a outra que me faz esquecer os problemas, não sei o que fazer ainda, preciso ver Clisba."

Felipe Sousa Cerqueira.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Carta ao Rood

"De: Fernando ; Para: ROOD

Caro amigo, quanta falta você me faz, desculpe te-lo mandado embora, conto os dias pra sua volta, nunca imaginei que iria sentir tanto a sua falta, mas você merece, teve a paciencia de esperar um ano para ganhar a minha atenção, quando você chegou eu tinha nove anos, não sabia o que fazer, e te deixei de lado por um bom tempo, até que olhei pra você uma vez e não tive medo de tentar conversar, até que descobri uma amizade tão pura e verdadeira. Você é o irmão que minha mãe não me deu Rood, seus conselhos são os melhores e os que mais me fazem refletir, acho que a minha vida não seria nada sem você, a minha solidão é doce quando estou do seu lado, poderia fazer a maior declaração do mundo, mas eu resumo esta em uma frase:
-Volte logo, melhor violão do mundo.

Saudades,
Fernando."

Felipe Sousa Cerqueira.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

ALICE

Havia uma menina, uma 'menina-mulher', que era linda, era perfeita, aos olhos de qualquer mortal lúcido da beleza, ao contrário das outras não era subjetiva, era tão direta que assutava, que mulher! era anjelical, com os cabelos negros como uma noite limpa, não se preocupava com a vida, só com sua mãe que aliás era uma mulher incrivel, que guardava a filha pra sí.
Que doce de mulher, ele era capaz de ficar parado olhando-a por um século sem piscar os olhos, com medo de perder um minimo detalhe daquela perfeição do Olimpo, no inicio era meio bobo ao tratar do seu sentimento, hoje ao conversar com essa DEUsa, vê-se de algum modo inquieto ainda, aquela que o fez sofrer durante anos, e que por outro lado o fez amadurecer, hoje ele pode dar toda a sua atenção que antes era de um século, agora de um minuto que valha uma vida, e essa mulher incrivel se chama Alice.
Hoje é uma mulher ainda linda, ainda perfeita, só que machucada pelos mortais que não sabem pensar, hoje ser direta é uma vergonha quando pensa que fez Fernando sofrer, mas ainda é um anjo, só que de cabelos louros, ainda tem uma mãe incrivel que ainda a guarda pra sí, Fernando, conversa sobre as suas besteiras, e seus amores, e consola os erros alheios dentro do coração de Alice, hoje ela pode afirmar que tem mais que um amigo-amante, tem um anjo da guarda.
Aquela que Fernando tanto amou, e que tanto sofreu para conseguir seu tempo, hoje é sua amiga, e ainda amor verdadeiro com certeza eterno, Fernando perdeu personagens da sua história com Alice, perdeu seus prantos. Alice, com a certeza de um romantico observador, merece todo o desgosto e desprazer que Fernando deveria te dar, só que ele não é mais um garoto, tem uma missão maior desta vez, que essa Sétima vez seja de um amor que faça inveja aos que querem atenção, que esta Sétima vez seja de uma amizade-amante sem precedentes, que se apague todo o passado que tanto encomoda Alice e que tanto Fernando fez-se a esquecer.
Que essa mulher, seja diferente das outras como sempre foi, que ela precise dele, para que possa provar todo o seu amor, amor de anos, de séculos, amor pra vida inteira.

Felipe Sousa Cerqueira.

A mesa

Fernando quebrou a mesa onde fica o seu computador, pela primeira vez, que sua vida amorosa estava um caos, fez sem querer, e enquanto consertava pensava:

"Talvez você seja boa demais pra mim mesinha, foi você que aturou meus surtos quando criança na frente do computador, que eu esmurrava o teclado com toda a minha força infantil sem conseguir fazer nenhum estrago, mas veja agora mesinha, tudo que eu toco por mais forte que seja acaba se quebrando ou indo embora, você era tão forte e ai eu fui crescendo e crescendo e a minha força e estresse tambem, e então eu conseguir, com um soco, arrancar uma tecla do teclado, pobre teclado, não teve culpa da minha briga com Natbelle e acabou sofrendo as consequencias.
Mesinha, quando minha mãe trouxe uma mesa nova, eu nem pensei e disse logo que não, que queria ficar com vc, agora eu estou te machucando sem querer, então mesinha dessa vez eu tou optar por deixar vc ir para a mão de outra criança chata, que vai amar e vai socar, e que vai te amar como eu te amo, me desculpe mesinha."

Felipe Sousa Cerqueira.

domingo, 13 de dezembro de 2009

O céu e a lua

Sozinho agora estou a pensar
olhando as estrelas de uma noite
espero que no seu silencio eu me deite
agora a pensar não quero estar sozinho.

A lua deixa no céu o seu carinho
sua luz que é única na noite
esfera de luz dos apaixonados
que como eu observam o céu vidrados.

O céu agora é da cor dos olhos de todas que amei
nada é como este céu para mim
as estrelas são brilhos de amor sem fim.

O céu cobre a lua
a lua é rainha do céu
que inveja desse amor.

Felipe Sousa Cerqueira.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Encontro com Cigana

Depois daquela noite veio a vontade do vício, e Fernando pensou em escrever novamente uma carta para a Cigana.
E naquela sessão de cinema, apertava sua mão com tanta intensidade com medo de perder algo naquele momento, olhava fixamente para a telona, as vezes olhava a Cigana, Fernando não prestava quase nenhuma atenção ao filme, mesmo fixando o olhar nas imagens a sua frente, passou a sessão toda pensando o quanto era um rapaz de sorte, tentava roubar a atenção da Cigana, só que ela não o olhava muito, estava interessada no filme, Fernando pegou a mão da garota, talvez para que sentisse alguma segurança, e viu que ela retribuía o carinho que estava recebendo, enfim se beijaram dentro da sessão, aquele beijo era tão estranho para Fernando, nada igual aos que ele havia experimentado, aquela sensação lhe lembrava algo, "não quero me apaixonar", mas a Cigana é tão misteriosa, e Fernando não sabia o que aqueles olhos tinham para dar a ele.
Saindo do cinema, caminharam bastante até um ponto de ônibus, e Fernando foi contando subjetivamente sobre os seus amores, não queria que a Cigana se sentisse mal se fosse tão direto nas palavras quando falava de outras, Fernando se sentia bem em estar ali, se apresentando melhor àquela que tanto o encantou com seus olhos, sempre que a beijava olhava aquelas pérolas negras e ria, um riso tão cínico que dizia o quanto ele se sentia bem, aquilo foi sem duvida a marca daquele momento, o riso, que mostrava o êxtase de estar feliz, foi quando se lembrou das estrelas cadentes, sempre que via alguma pedia "eu quero ser feliz", logo na época em que tudo parecia estar contra ele, agora Fernando experimenta uma sensação que talvez só tenha sentido quando criança, quando ganhava algum brinquedo bem desejado, no natal, agora ganha coisa melhor, ganha beijos que o fazem se sentir bem. E por mais um momento olhou a Cigana nos olhos e pensou "será que a minha felicidade tão desejada está ai? Na escuridão desses olhos, que tanto me intrigam?!" E riu.

Felipe Sousa Cerqueira

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Encontro com Margarida

No banco do parque, de frente para O jardim ele admira a flor, e no radinho de pilha tocava ao acaso uma musica de Maria Bethania, pensava na vida, pensava que pela primeira vez nessa vida não sabia o que fazer, não sabia quem escolher, tanta coisa se passava pela sua cabeça, Natbelle era a lembrança mais dolorida e recente e estava embalada pelo som do radinho, a flor tão linda dentro de , sentia a sua presença pela primeira vez, então Fernando levantou-se e pela primeira vez, teve coragem de invadir o jardim, para olha-la mais de perto, e por um momento a flor exalou um cheiro tão doce, tão inesquecível que, para Fernando, era o cheiro do seus pensamentos, dos momentos de desabafo que compartilhava com ela, que permanecia ali imóvel, só a ouvi-lo.
E em um momento a flor cedeu um pouco de carinho, e então Fernando sussurrou:
- Até que em fim, eu conseguir te ter, tão doce e misteriosa.
Aquele era pra Fernando um momento de êxtase, estava fora do mundo dos seus sentimentos homéricos, estava experimentando em fim, um momento só seu, um momento de vitória, que muitos românticos, que só pensam na morte por amor, não pensam em ter.
Olhava a flor ainda e pedia:
- Não se apaixone por mim querida, preciso de você na distancia do seu jardim, para que eu, louco por amores perdidos neste mundo, possa correr para os seus braços, me consolar, ou só sentar e observar como faço na maioria das vezes, e que este cheiro que sinto agora, este cheiro teu, possa entrar nas minhas fossas nasais e limpar todas as lembranças de um dia ruim.

Felipe Sousa Cerqueira.

Sermão do Espelho

Quem é você?. Depois de tudo que passou com Alice, quem imaginava que conseguiria se apaixonar de novo? E ai vem Natbelle tão inocente que te fez entender que você não ama, você ama a ideia do amor, esse que sempre foi um mistério, que te fazia perder noites, que te fazia chorar quando você se sentia mais homem, e quando Alice deu um basta na linda historia de amor, você foi atraz de outras e dessas outras vieram decepçoes e no fim quando ja estava cansado encontrou Natbelle, e então, um ano se passou, e, corroido de ciumes você foge de novo para uma busca que não sabe ao certo o que seja, e, ontem, que foi um dia ruim se afoga em ciagarros e qualquer droga que te ofereçam, Fernando, você sabe muito bem o que é o amor, está ai dentro, quando vai parar de pulsar esse desejo de amar mais? Alice vem ai, Natbelle te espera, a Cigana te encanta, e Margarida te consola, e você? Qual caminho vai seguir? Fernando, você teve fazes de tramar tudo, essa é a hora da escolha.
O amor? Você teve várias chances de desvenda-lo, só que em momentos de decisão, você foge, só para começar de novo, e de novo, o amor está de saco cheio de você, assim como eu estou cansado de não conseguir te entender, eu como espelho que sou, que vejo todos os movimentos dessa casa, vejo em seu rosto inteiro, Alice, e em fragmentos do seu peito, Natbelle, Cigana e Margarida, isso será uma escolha dificil meu velho, o que eu, ser inanimado posso fazer por você? NADA, só posso te mostrar o caminho da auto-valorização, que é o que se precisa antes de amar qualquer pessoa, e creio que você já saiba esse caminho.
Te imploro meu caro, digo agora como um conselheiro e não como um espelho, o teu medo não é de escolher, o teu medo é que te falte amor, amor novo, para começar.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Carta à Natbelle

"De: Fernando; Para: Natbelle

Natbelle, meu amor, se é assim que eu posso te chamar depois de tanto tempo juntos, e com um fim tão inesperado, eu não tenho muitos motivos para escrever esta carta, meu motivo maior é explicar por que fugi dos seus braços para encontrar o mundo.
Havia um espaço vago, la no fundo do meu peito, onde, eu, me encontrava vulnerável a qualquer criatura bonita desse mundo, e então das mais belas, me apareceu a mais bela. Acho que me apego realmente muito rápido as garotas com quem me relaciono, só que, de maneiras diferentes, com você eu me sinto fora do meu mundo de perdições e loucuras, e entro num mundo onde me sinto 'confortavelmente anestesiado'.
Nesse nosso mundo Natbelle, o meu ciume é maior do que o meu amor, por isso sofro tanto sem motivos, minha fada, tão pura e simples, de beleza incomparavel, passei a me achar inferior a você e então fugi dos seus braços, o meu ciume faz parte da minha falta de confiança e da minha percepção sobre a sua inocência, só que hoje Natbelle, eu te vejo como uma mulher mais forte, que tem o poder de pisar em mim, e que por mais inocente que seja acaba pisando sempre, só por olhar, só por saber que me tem no bolso.
eu, posso ter sido rude, posso parecer ainda, e se sou, culpe o meu ciume, e não a minha falta de amor como você diz, eu tenho tanto a te agradecer, sobre as coisas que aprendi, e que aprendemos juntos, coisas simples e algumas até banais, para os olhos dos que não amam, e para estes eu desejo uma Natbelle para cada lembrança sofrida por amor nesse mundo.

Com o amor que ainda me resta, Fernando."

Felipe Sousa Cerqueira

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Conhecendo D.Lúcia


Dona Lúcia, uma mulher de baixa estatura, cabelos longos, castanhos e com meixas loiras, olhos verdes, seu corpo, como o da venus que sempre vimos em livros de história ou literatura, 'o nascimento de Vênus'..

Dona Lúcia, chega da faculdade cansada, olha para dentro de sí e pergunta a Fernando:
-Filho, eu estou bonita?
Ele a olha de cima a baixo e mantem silêncio
-Você nem conversa comigo... Diz ela num tom cabisbaixo.
E quando Lúcia sái, rendida pela arrogancia de Fernando que ele fica a pensar...

" Meu Deus, começarei meu pensamento sobre o quanto minha mãe é linda, para a idade dela é a mulher mais linda do mundo, não por ser minha mãe, se ela fosse uma visinha solteirona com essas crises de baixa auto-estima eu a ajudaria. Não me acho o melhor filho do mundo, queria ter forças para tentar ser melhor, quanto a minha mãe, não conversamos muito, mas eu observo cada passo seu, e cada atitude, como se fosse seu pai, não por estar querendo ser super protetor, nem ciumento demais, mas querendo ser o filho que conhece a mãe, ela não é um exemplo para mim, eu não trago exemplos comigo, minha mãe eu posso chamar com toda a certeza de SÍMBOLO.
Lembro que certa vez em uma das nossas muitas discursões, ela me disse:
- E a Alice? Que você deixa pisar em você quando quer?
-Eu amo a Alice minha mãe.
- É?! Mas ela só te ama quando quer.!
- AH! ...(nesse momento pensei muitos palavrões), dei as costas e saí.

Com o passar do tempo acabei tomando para mim a opinião de minha mãe sobre Alice, e me auto-denominei seu remédinho, ela só me procurava quando tropeçava em algum amor que encontrava em qualquer canto jogado pelo mundo, e minha mãe, super protetora tentando me alertar, que filho ingrato eu sou.
É, mas depois de Natbelle, minha mãe ficou empolgada com a ideia do seu Nandinho namorar, hoje depois do fim da Era Alice, da Era Natbelle, todas as meninas que aparecem na minha vida minha mãe insiste em perguntar:
- Vai namorar?
Até com a Cigana que ela nem conhece ela disse:
- Eita, só arruma mulher que mora longe, arranja uma la na visinhança.
- Pelo menos a casa da menina é caminho da Faculdade, ai vc só vai poder ve-la dia de semana, final de semana vocês se virem.
E sobre a Margarida:
- Eu trago você aqui nesse jardim para vc ficar olhando uma flor?! Nem tirou uma casquinha?!
Ah! Minha mãe Lúcia, minha bela e doce mãe, a melhor das melhores, a única que me atura."

Fernando nem terminou de pensar, Dona Lúcia volta ao quarto e diz:
- Quando encontrar com Natbelle lembre do meu brigadeiro.

Felipe Sousa Cerqueira

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A dúvida de Fernando

No branco vazio do Bloco de notas fico parado alguns minutos ouvindo Johnny Cash e pensando em Margarida, na Cigana e em Fernando.
Tenho um pressentimento de que tudo dará certo para ele, mas não tenho certeza qual das duas ele vai escolher, sempre gostou de fazer das suas mulheres as mais naturais do mundo, mesmo que para isso tenha que esconder alguns sentimentos.
Tenho Fernando como meu melhor amigo, o do fundo do peito, o que nunca me abandonou, mas tenho pena por ele conseguir tudo que quer e no fim sempre se perguntar "e agora?", mas, quantos de nós nos perguntamos isso? Falo de coisas de valor sentimental, Fernando nunca ligou direito para o material, mas o material sempre atrapalhou sua vida e como todo e qualquer jovem se estressava, cansei de dizer que ninguém é melhor que ninguém, a Cigana precisa dele , muito mais do que a Margarida, mas Fernando precisa mais da Margarida.
Estava eu a olhar à Margarida um dia desses, toda intocável, rainha do jardim do Fernando, quando pensei, por que será que ele vem aqui sempre que pode e fica olhando esta flor? Tão metida dentro de si, tão intocável, mas ao mesmo tempo que pensei fui conquistado por ela que realmente encanta quem passa a olha-la de perto, senti uma sensação tão forte, um cheiro que entrou na minh'alma e então senti o que Fernando sente, uma paz que só sinto quando estou dormindo fora de mim ou desse mundo material.
Sem sair dalí passei a pensar na Cigana, aquela onde o Fernando viu um sentimento escondido e misterioso que a fazia sofrer, então se dispôs a ajudar, tenho medo d'ela fazer do meu amigo um iludido, ele deve olhar à flor e pensar a mesma coisa, talvez essa flor faça-o pensar mais sobre os seus amores e indecisões.
Conheci a Cigana um pouco, confesso que por ser uma pessoa de coração fraco quase me apaixonei por ela, então pensei nas lições de Natbelle, a Cigana é realmente uma mulher que mata um homem num só olhar, mas Fernando se tornou um homem forte, ele acha que as mulheres que precisam dele, e que só precisa delas para apagar algumas lembranças da memória, isso é o que ele me diz, acho que não, a verdade é outra, meu amigo tem medo de se apaixonar, ele não quer q a Margarida olhe para ele, prefere ficar admirando-a como faz no seu jardim, e quanto a Cigana, é uma mulher tão misteriosa que precisa ser desvendada, é, acho que o Fernando é um aventureiro em busca de um amor perfeito, o que será que Fernando encontrará nos olhos misteriosos da Cigana? E a Margarida? Como ele vai cuidar desse desejo de olha-la de perto?

Aguardem...

Felipe Sousa Cerqueira

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Sem título.

Eu quero ficar dobrado no fundo do armário esquero, em baixo daquele casaco velho mas que de tão lindo você não consegue se desfazer. Eu quero que você me vista, assim num sábado, e que quando me vestir seja intensamente feliz e linda, como sempre foi. Depois você se despe de mim, me dobra e novamente me põe lá, no fundo do armário esquerdo de você.

(Sim amor, traga as aspirinas, á água e a louca que eu guardo na gaveta do criado mudo, aquela terceira, de baixo pra cima, onde eu guardo as fotografias mais íntimas e doloridas)

Kauam.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Carta à Cigana

"De: Fernando; Para: A menina dos olhos de cigana

Eu sei o seu caso, não sei se está disposta a esquece-lo, quero que saiba que estou aqui para dar-te companhia nas horas que você precisar de um amigo, de um palhaço ou de um amante. Você não me conhece menina doce, de onde venho passei pelo mar das tentações e quando sair entrei na selva dos amores onde permaneci um ano sem querer escapar, lá aprendi muito com uma fadinha chamada Natbelle, que me ensinou a arte do amar e ser amado, de respeitar e ao mesmo tempo gozar, ah! Natbelle.
Quando saí dessa selva, entrei na casa dos espelhos onde permaneço até hoje sem saber quando vou sair, aqui conheci pessoas e desconheci outras, afinal na sala dos espelhos existem ilusões, das mais belas até as mais horrendas, e você menina que gosto tanto a tão pouco tempo me encantou com esses olhos de cigana, onde me perco até achar no fundo um amor que você não esquece, menina, eu que sou tão sincero nessa vida, passei por amores e desamores nessa estrada, onde volto para visitar as lembranças que me foram boas, o amor é bom menina, mas não deixe q ele te consuma, ele pode ser o mais doce néctar se você souber beber, se não souber, ele te consumirá por dentro como o absinto que ilude os seus românticos.
Sei ser romântico menina, mas na minha maioria sou como uma tartaruga, me escondo quando o amor vem me visitar, e quando não vem fico atento á sua irmã gémea, a paixão, quem vem pior, vem intensa para seduzir os que tem a mente fraca, os que se deixam levar pelo espelho, menina, eu te desafio a entrar nesse mundo comigo, onde não terá volta qualquer erro seu, e te pesso desde já que retire do fundo desses olhos de espelho o amor que está te consumindo, e que retire da íris a paixão que dorme e que virá a qualquer momento atraz de mim.

Beijos, Fernando"

Felipe Sousa Cerqueira

Saia da rotina

Fernando chega em casa vindo de uma formatura, as 3:00, sóbrio, conversou um pouco com sua mãe sobre as suas revoltas, falou dela ser uma mulher tão inteligente mas limitada no espaço ao seu redor, sem coragem de meter a cara no mundo para tentar vencer na vida, não q ela fosse uma fracassada, só tinha revolta por ela ser um exemplo de mulher para ele e ao mesmo tempo fosse tão retrô e percimista.
Voltava para casa naquele horário por estar sóbrio, e não poder beber, por q prometera a sua mãe e ao seu padrinho q não ia fazer o q fez na ultima festa q foi. Passou a formatura toda atraz de cigarros e não encontrava ninguem q pudesse satisfazer aquela necessidade, é um rapaz bonito, e se acha bonito, mas a sua alegria só é despertada pela atenção dos amigos, drogas (lícias ou ilícitas), e mulheres (que tambem te deem atenção).
No outro dia precisava estudar, e fazer as mesmas coisas q fazia sempre, ouvindo Bob Dylan descobriu que aquele era o som da sua rotina, por q sempre via em filmes essas musicas e sempre em situações cotidianas. Então pensou "por que", e não descobriu nada, brigou com a ex namorada no mensenger ao mesmo tempo q conversava com sua futura pretendente, não queria se apaixonar então tentava ser o mais normal possivel, mas sempre te escapava um pouco de romantismo, Fernando quer quebrar a sua rotina postando palavras soltas num blog que vai falar da sua vida, dos seus amores e poemas.

Que esse blog sirva para os que latem, os que choram, os que mamam, os que deitam, os que mentem, os que escondem, os que cuidam, os que observam, os que agridem, os que fumam, os que bebem, os evangélicos e 'mundanos', que este blog sirva para os que amam e escondem o seu amor, e que esse blog por ultimo, entre na rotina de cada um como uma fulga de uma vidinha sem graça.

Felipe Sousa Cerqueira.