Gustavinho, homem bem vestido, alto, gordo e vermelho, daqueles que usam suspensório, com cara de deputado, entra na delegacia mais vermelho que de costume, é reconhecido por uma senhora a quem havia feito um agrado tempos atras:
- Senhor Gustavo, como vai o senhor? Perguntou com um sorriso sincero como de uma criança. Gustavinho respondeu sem levantar os olhos:
- Vou bem, na medida do possível! A frieza foi tamanha que a senhora não contou conversa alguma. Saiu sem êxito no diálogo.
Gustavinho sentou-se:
-É aqui que se registram as queixas?
-Aqui mesmo- era um homem magro, pardo e usava oclinhos já acabados, enterrados nas rugas que aparentavam mais estresse que idade- que o senhor deseja? Algum problema?
-Quero registrar uma queixa! Era evidente o espanto no semblante de Gustavinho.
-Pois bem, estou ouvindo...
E Gustavinho pôs-se a falar:
-Tenho quarenta e cinto anos, não posso passar por sustos muito grandes. Mas hoje como aparento, estou muito assustado, eu matei um sujeito...
-Legítima defesa?- o homem da lei levantou bruscamente os olhos para Gustavinho enquanto tomava nota...
-O caso foi o seguinte, chego em casa, como de costume comprimento D. Shirlei, a minha empregada de anos, subo e vou ao quarto, ligo a TV e deito-me na cama, o dia de trabalho foi frenético, quando me pus a cochilar, ouvi um estalo nos canos elétricos da casa, e tudo se apagou, o quarto foi iluminado pela chama que a TV soltara quando queimava, pensei comigo, "não mereço isso". Desci, peguei o carro, andei um ou dois quarteirões, indo ao boliche, o segundo sinal, o pneu do carro estoura, sem paciencia e dom para trocá-lo, saio a pé, com a carteira e as chaves. Andei uns quinhentos metros, que para mim é muito, sou gordo e fora de forma, cheguei finalmente ao boliche, aluguei os sapatos, e ali joguei por duas horas, no fim, na hora de pagar, o sitema responsável por ler o meu cartão pifa!- parou de falar por alguns minutos para enchugar o rosto, que estava cada vez mais vermelho e cada vez mais molhado- mandei chamar o gerente que era meu amigo, e disse que ia tirar dinheiro no caixa eletrônico mais proximo, a minha sorte foi que esse caixa era realmente proximo. Tirei o dinheiro e antes que eu pudesse sair do caixa um homem me empurrou para dentro da cabine e me fez limpar a conta com um revolver na nuca...
- E aí como você o matou?!
- Não foi o infeliz que eu matei, me deixe continuar.
- Certamente!
- Eu tentei conversar para falar da conta que tinha de pagar, mas não deu outra o sujeito ainda me deu uma risadinha cínica e deu um tapinha nas minhas costas saindo da cabine e ameaçando se eu viesse a gritar ele colocaria meus miolos dentro do caixa eletrônico, então fiquei olhando o sujeito se afastar com todo o meu dinheiro em mãos, o dinheiro da conta aliás, lembrei que tinha dinheiro em casa, fui no carro, peguei as chaves e caminhei as duas quadras e quinhentos metros de volta. Cheguei em casa exausto e vi que a luz tinha voltado, o quarto cheirava a plástico queimado, por causa da TV, peguei o dinheiro, liguei pro guincho, e pedi que levassem o meu carro a uma oficina, eles o fizeram, o dinheiro dava para mais alguma coisa alem da conta, tomei um táxi e fui ao boliche paguei e entrei no táxi a fim de voltar para casa para dormir.
Nesse momento o policial para de tomar nota e coloca café na xícara ao seu lado, e bebe, percebe o táxi ao lado de fora da delegacia, vazio, olha serenamente para Gustavo, tenso de um dia cheio, e estressante, que ainda falava, mas sem receber muita atençao. Volta a prestar atenção e escrever:
- O motorista falava pelos cotovelos, e eu só pensava em dormir, cochilei no táxi, e quando chegamos em casa o cara me acordou bruscamente, o que me deixou bastante assustado, exigiu uma quantia que juguei absurda, porém havia um único problema, o dinheiro que julgava ser justo pela corrida o panaca não quis aceitar, então pedi que esperasse no carro, entrei aflito em casa, o cansaço ja tomava até a alma, abri o cofre, nada alem de ações e um revólver herdado do meu pai, não pensei duas vezes, entrei com uma única bala no tambor, desci, rindo o descarado me esperava, cantarolava uma canção do rádio, parecia estar pensando, que gordo idiota, cheguei bem perto, pois errar não era a minha finalidade, atirei! O tal morreu me olhando, rindo ainda, peguei o corpo, ele tá aí, na mala do próprio carro, esperando eu dar o preço da sua corrida à morte!
- O senhor quer registrar queixa de quem?!- Perguntou o homem da lei.
- Contra mim mesmo!- Disse Gustavinho com os olhos marejados- Tudo que eu quero é dormir ao som da TV.
Felipe Sousa Cerqueira.
- Senhor Gustavo, como vai o senhor? Perguntou com um sorriso sincero como de uma criança. Gustavinho respondeu sem levantar os olhos:
- Vou bem, na medida do possível! A frieza foi tamanha que a senhora não contou conversa alguma. Saiu sem êxito no diálogo.
Gustavinho sentou-se:
-É aqui que se registram as queixas?
-Aqui mesmo- era um homem magro, pardo e usava oclinhos já acabados, enterrados nas rugas que aparentavam mais estresse que idade- que o senhor deseja? Algum problema?
-Quero registrar uma queixa! Era evidente o espanto no semblante de Gustavinho.
-Pois bem, estou ouvindo...
E Gustavinho pôs-se a falar:
-Tenho quarenta e cinto anos, não posso passar por sustos muito grandes. Mas hoje como aparento, estou muito assustado, eu matei um sujeito...
-Legítima defesa?- o homem da lei levantou bruscamente os olhos para Gustavinho enquanto tomava nota...
-O caso foi o seguinte, chego em casa, como de costume comprimento D. Shirlei, a minha empregada de anos, subo e vou ao quarto, ligo a TV e deito-me na cama, o dia de trabalho foi frenético, quando me pus a cochilar, ouvi um estalo nos canos elétricos da casa, e tudo se apagou, o quarto foi iluminado pela chama que a TV soltara quando queimava, pensei comigo, "não mereço isso". Desci, peguei o carro, andei um ou dois quarteirões, indo ao boliche, o segundo sinal, o pneu do carro estoura, sem paciencia e dom para trocá-lo, saio a pé, com a carteira e as chaves. Andei uns quinhentos metros, que para mim é muito, sou gordo e fora de forma, cheguei finalmente ao boliche, aluguei os sapatos, e ali joguei por duas horas, no fim, na hora de pagar, o sitema responsável por ler o meu cartão pifa!- parou de falar por alguns minutos para enchugar o rosto, que estava cada vez mais vermelho e cada vez mais molhado- mandei chamar o gerente que era meu amigo, e disse que ia tirar dinheiro no caixa eletrônico mais proximo, a minha sorte foi que esse caixa era realmente proximo. Tirei o dinheiro e antes que eu pudesse sair do caixa um homem me empurrou para dentro da cabine e me fez limpar a conta com um revolver na nuca...
- E aí como você o matou?!
- Não foi o infeliz que eu matei, me deixe continuar.
- Certamente!
- Eu tentei conversar para falar da conta que tinha de pagar, mas não deu outra o sujeito ainda me deu uma risadinha cínica e deu um tapinha nas minhas costas saindo da cabine e ameaçando se eu viesse a gritar ele colocaria meus miolos dentro do caixa eletrônico, então fiquei olhando o sujeito se afastar com todo o meu dinheiro em mãos, o dinheiro da conta aliás, lembrei que tinha dinheiro em casa, fui no carro, peguei as chaves e caminhei as duas quadras e quinhentos metros de volta. Cheguei em casa exausto e vi que a luz tinha voltado, o quarto cheirava a plástico queimado, por causa da TV, peguei o dinheiro, liguei pro guincho, e pedi que levassem o meu carro a uma oficina, eles o fizeram, o dinheiro dava para mais alguma coisa alem da conta, tomei um táxi e fui ao boliche paguei e entrei no táxi a fim de voltar para casa para dormir.
Nesse momento o policial para de tomar nota e coloca café na xícara ao seu lado, e bebe, percebe o táxi ao lado de fora da delegacia, vazio, olha serenamente para Gustavo, tenso de um dia cheio, e estressante, que ainda falava, mas sem receber muita atençao. Volta a prestar atenção e escrever:
- O motorista falava pelos cotovelos, e eu só pensava em dormir, cochilei no táxi, e quando chegamos em casa o cara me acordou bruscamente, o que me deixou bastante assustado, exigiu uma quantia que juguei absurda, porém havia um único problema, o dinheiro que julgava ser justo pela corrida o panaca não quis aceitar, então pedi que esperasse no carro, entrei aflito em casa, o cansaço ja tomava até a alma, abri o cofre, nada alem de ações e um revólver herdado do meu pai, não pensei duas vezes, entrei com uma única bala no tambor, desci, rindo o descarado me esperava, cantarolava uma canção do rádio, parecia estar pensando, que gordo idiota, cheguei bem perto, pois errar não era a minha finalidade, atirei! O tal morreu me olhando, rindo ainda, peguei o corpo, ele tá aí, na mala do próprio carro, esperando eu dar o preço da sua corrida à morte!
- O senhor quer registrar queixa de quem?!- Perguntou o homem da lei.
- Contra mim mesmo!- Disse Gustavinho com os olhos marejados- Tudo que eu quero é dormir ao som da TV.
Felipe Sousa Cerqueira.
Nenhum comentário:
Postar um comentário