terça-feira, 16 de novembro de 2010

Vago desejo.

Depois que a fada se foi o mundo mudou, as terceiras pessoas do plural começaram a aparecer com mais evidência, a perturbação das relações alheias começaram a se tornar vertiginosas, promovendo a culpa. O tempo passou num piscar de olhos, e em outra boca apagastes a nossa história. As lembranças se tornaram vagas, dentro de uma música ou de outra procura-se o seu sorriso, o seu bico, o seu ardor puro e secreto, o seu olhar, na música procura-se a corda do relógio dos meus dias, que pare apenas em uma mulher, que corra quando estiver longe, e que a distancia seja um pretexto de uma viagem, de um encontro. Parar um desejo tão puro, não deseja-se, tem-se, cala-se, ouve-se, em sua presença, cala-te boca! Deseje o empurrão da felicidade na sua vida, fada, no súbito desejo de amar e ser amada, como amei! Não sonho, não ouço a música que te traz a mim, sou só eu, vivendo a culpa de uma partida abrupta, de um erro amaldiçoado pelo destino, joguei o meu amor no lixo, mas estava acorrentado a ele, e me joguei, sem saber, também.

Felipe Sousa Cerqueira.

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