Espiga de milho loiro,
Adeus fraternidade,
Não fazem sentido às palavras,
Mas são escritas com saudade.
Qualquer coisa à toa
Ressoa do ventilador de teto,
Não faz também muito tempo
Que eu perdi o chão e o tato,
No ato,
Na coisa racional,
Criada nesse hiato.
Azedo como limão,
E doce como beijos fresquinhos,
Agosto nem sempre trás desgosto
E eu sinto,
Antes de novembro,
Me deixaras sozinho.
Num vinho,
Vendo todo pequenininho,
Com o coração desfeito em caquinhos
E uma música bem dolorida
Rasgando a madrugada,
Tocando no radinho.
Não adianta planejar,
Não vale a pena me apaixonar
E nem gastar o francês
Com poesias de Baudelaire,
Eu sei que no fim de tudo,
Não restará nem mesmo o sonho,
Só eu, tristonho,
Cantando Caetano.
Kauam
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