segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A dama de Vermelho

De tempos em tempos tenho escutado músicas e dizeres que reverenciam mulheres que se vestem de vermelho, pode parecer uma cor pré-julgada como de mulheres alheias à vida social, pra mim foi a chave do mistério da mente.

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Em uma praça, lugar familiar, onde crianças brincam, pais se preocupam e casais namoram. Estava lá, a mulher de um homem só, destemida e solitária, triste e radiante. Seu olhar de tigresa despiria qualquer homem que mirasse, mas a solidão lhe proporcionara uma inocência sem tamanho, mesmo assim tinha o ar de primeira namorada, amante e amiga. Usava um vestido vermelho que cobria os joelhos, introduzindo ainda mais mistério a sua figura feminina.
As palavras de veludo, trêmulas e diretas desabrochavam feito flores na primavera, com uma naturalidade perturbadora. Sem tamanho nem forma, a sua tristeza trazia consigo uma força bruta de mulher vivida, sôfrega, dramática, a sua confiança era dada à alguém que conhecia naquele instante. Cada um dos seus gestos eram como um poema escrito em recorte de revista, de uma visão aterradora da vida, e uma concordância perfeita.
A noite lhe parecia comum, como quem vive da rotina de uma vida chata sem perceber coisa alguma. Tendo estado em perfeita harmonia com a sua beleza, a noite se incomodava seriamente com suas lamentações e dizeres, e como num passe de mágica foi tragada pelo adeus como quem traga um cigarro de desespero. Tudo isso na elegância doce, do seu vestido vermelho.

Felipe Sousa Cerqueira

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