domingo, 27 de dezembro de 2009

Feliz qualquer coisa

Me pergunto agora quanto valem as coisas no campo emocional. Eu, me encontrando em meio a tantas rachaduras, tantas farpas, falhas, migalhas e restos. Num cesto de roupas sujas cheirando a limpa, no fundo de uma poça, no coração de alguém odiado, em meio a filme de horror, eu não sei. Justo agora que deveria me encontrar, agora que tudo parecia caminhar pra uma resignação, me encontro perdido em sabores que tão novos, que já os imagino velhos, mofados.
Eu não aprendo, e sexo por sexo não completa a outra metade de minha lua não tão misteriosa. Eu abro bastante a cavidade escura de minha boca e de lá não sai nem um som. Oco. Tropeço enquanto durmo e até mesmo o meu café escuro de cada dia tem me feito um mal terrível. Não ouço Dylan, nem Joplin, nem Paul, Nem Ringo, nem Mercedes Sosa, nem Carmem Miranda. Eu não ouço os alarmes que apitam de forma estridente todas as vezes que me vejo avançando o sinal vermelho ou desrespeitando o limite entre diversão e caos. Caos: enfim algo que me explique, simplificando.
Hoje sim, o cansaço repousa levemente seus braços sobre esse corpo tão cansado de outros corpos, que agora pousa como uma joaninha intrusa em qualquer flor que ouse perfumar um tom a mais. Eu não serei entendido, Nietzsche não foi entendi e Carlos Drummond de Andrade é frio como o cimento, José.
No fim, o que resta de bom pra guardar são dois ou três sorrisos, alguns silêncios, um adeus, duas transas, três gim-tônica, oito beijos, uma bebedeira, uma mulher, um rapaz, um borrão, alguns amigos, aquele livro da Zélia Gattai, aquele telefonema bacana, a voz segura da Nay, a manhã quinta-feira em Sergipe, o “fico” visto de cima, o cio no espelho, o cheiro de creme, a cor da saudade, o encontro de dois segundo, a gargalhada de alguém, os vinte Lucky Strikes, os dois Cannabis, as cuecas de um amigo, as roupas anos oitenta, a voz de Caetano... Aquele frevo-axé, quase nada que não canse e que não leve de mim um pedaço enorme, dolorido. É isso, com mais.
Kauam.

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