No banco do parque, de frente para O jardim ele admira a flor, e no radinho de pilha tocava ao acaso uma musica de Maria Bethania, pensava na vida, pensava que pela primeira vez nessa vida não sabia o que fazer, não sabia quem escolher, tanta coisa se passava pela sua cabeça, Natbelle era a lembrança mais dolorida e recente e estava embalada pelo som do radinho, a flor tão linda dentro de sí, sentia a sua presença pela primeira vez, então Fernando levantou-se e pela primeira vez, teve coragem de invadir o jardim, para olha-la mais de perto, e por um momento a flor exalou um cheiro tão doce, tão inesquecível que, para Fernando, era o cheiro do seus pensamentos, dos momentos de desabafo que compartilhava com ela, que permanecia ali imóvel, só a ouvi-lo.
E em um momento a flor cedeu um pouco de carinho, e então Fernando sussurrou:
- Até que em fim, eu conseguir te ter, tão doce e misteriosa.
Aquele era pra Fernando um momento de êxtase, estava fora do mundo dos seus sentimentos homéricos, estava experimentando em fim, um momento só seu, um momento de vitória, que muitos românticos, que só pensam na morte por amor, não pensam em ter.
Olhava a flor ainda e pedia:
- Não se apaixone por mim querida, preciso de você na distancia do seu jardim, para que eu, louco por amores perdidos neste mundo, possa correr para os seus braços, me consolar, ou só sentar e observar como faço na maioria das vezes, e que este cheiro que sinto agora, este cheiro teu, possa entrar nas minhas fossas nasais e limpar todas as lembranças de um dia ruim.
Felipe Sousa Cerqueira.
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