Depois daquela noite veio a vontade do vício, e Fernando pensou em escrever novamente uma carta para a Cigana.
E naquela sessão de cinema, apertava sua mão com tanta intensidade com medo de perder algo naquele momento, olhava fixamente para a telona, as vezes olhava a Cigana, Fernando não prestava quase nenhuma atenção ao filme, mesmo fixando o olhar nas imagens a sua frente, passou a sessão toda pensando o quanto era um rapaz de sorte, tentava roubar a atenção da Cigana, só que ela não o olhava muito, estava interessada no filme, Fernando pegou a mão da garota, talvez para que sentisse alguma segurança, e viu que ela retribuía o carinho que estava recebendo, enfim se beijaram dentro da sessão, aquele beijo era tão estranho para Fernando, nada igual aos que ele havia experimentado, aquela sensação lhe lembrava algo, "não quero me apaixonar", mas a Cigana é tão misteriosa, e Fernando não sabia o que aqueles olhos tinham para dar a ele.
Saindo do cinema, caminharam bastante até um ponto de ônibus, e Fernando foi contando subjetivamente sobre os seus amores, não queria que a Cigana se sentisse mal se fosse tão direto nas palavras quando falava de outras, Fernando se sentia bem em estar ali, se apresentando melhor àquela que tanto o encantou com seus olhos, sempre que a beijava olhava aquelas pérolas negras e ria, um riso tão cínico que dizia o quanto ele se sentia bem, aquilo foi sem duvida a marca daquele momento, o riso, que mostrava o êxtase de estar feliz, foi quando se lembrou das estrelas cadentes, sempre que via alguma pedia "eu quero ser feliz", logo na época em que tudo parecia estar contra ele, agora Fernando experimenta uma sensação que talvez só tenha sentido quando criança, quando ganhava algum brinquedo bem desejado, no natal, agora ganha coisa melhor, ganha beijos que o fazem se sentir bem. E por mais um momento olhou a Cigana nos olhos e pensou "será que a minha felicidade tão desejada está ai? Na escuridão desses olhos, que tanto me intrigam?!" E riu.
Felipe Sousa Cerqueira
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