Na varanda, conversavam, atrás deles a casa estava completamente vazia, ouvia-se o som dos ventos e da maré que quebrava-se nas rochas não muito longe dali. Ao pé deles estavam duas árvores, que impediam a visão total do horizonte, tudo escuro, era assustadora a sensação, como se estivessem no meio do nada, que o nada fosse infinitamente confuso, cheio de agonia sentimental, romântica! Digamos assim leitor.
O som dos mares ia cessando, as palavras e assuntos iam se extinguindo, até que mais uma vez o silêncio reinou, só que esse era diferente, era do acaso que reinava, cheio de pensamentos, de ambas as partes, que se definiam, ele, por um dia ruim e cheio de ‘estranhicies’, e ela pelos planos mal sucedidos. A partir daquele conjunto, depois da noite de pensamentos melancólicos, algo de mais estranho viria a acontecer, a lua se mostrara por entre as folhas das árvores, o cenário agora era de ópera, onde a natureza conspirava a favor dos nossos dois amigos, e tocava uma musica suavemente linda.
O vento gelado cantava num lugar que sempre pareceu o purgatório. As ‘estranhicies’ não foram embora, os cães começavam também a cantar, até ali o nosso Alfredo e a nossa Sinhá eram só amigos.
O rapaz pegou em sua mão, apertou como quem diz "somos atores da ópera da vida", o toque foi levemente suavizado, e então o ato mais estranho e mais belo da noite aconteceu, e não foi a mãe natureza quem fez.
O beijo!
Viajou em uma escuridão de pensamentos puros, os quais nunca tinha tido na vida, era como não deixar de cair de um precipício, no instante em que aquele tão sonhado afeto terminou, foi como se a queda acabasse em um mar de algodões perfumados com o cheiro da Sinhá, sentiu-se intensamente anestesiado.
Estranhamente lindo.
FIM.
Felipe Sousa Cerqueira.
Nenhum comentário:
Postar um comentário