E há uma estrada única na vida, que leva a gente a um só lugar. Saio de uma rotina de ex-namoradas sociais todos os dias que acordo. Sempre volto a mesma encruzilhada. Olho a minha guitarra que outrora era o meu ombro amigo, olhando para ela agora em pedaços pergunto-me onde estão os amigos. Sempre volto à mesma estrada. Então aquele blues se torna tão forte quanto o gole de wisque de deixei de ter. Ainda está aqui, a minha guitarra amiga, quebrada, está o blues nos discos que perdi enterrando coisas no meu quarto, em cima da estrada. Ah! Os meus discos, se há algo que eu preze mais preciso descobrir logo o que é, para que eu possa quebrar e engolir os pedaços assim o meu apresso se tornará perturbador. Saio, respiro, respiro: breathe in the air...
O ar bate no meu rosto junto com a vontade musical de sair por essa estrada que olho agora, com minha guitarra em pedaços na mão, uma jaqueta e talvez uma camiseta que ganhei de alguém especial. O ar é ferino, arrepia-me os poros, faz nascer barba, velhice espiritual, paixões de uma noite, de um boato só. Volto-me aos discos, e a solidão é a doce música que um velho vivido cantou um dia, é coisa de uma engolir uma vida. O que não me vem a cabeça é a estrada, mesmice de sempre, como o meu sorriso falso para com as pessoas que fingi me apaixonar, como o sorriso que dei sem dizer o que sentia de verdade, porque essa estrada brutal me assusta tanto... E a falta que impede o sono de chegar, que dá à mão forças para levantar o copo, que dá ao braço vontade de quebrar a guitarra, os discos, as coisas novas. Onde está, nessa estrada, a vontade de dizer o que sinto de verdade, de novo, é terrível o medo de seguir, de amar, de sentir o ar sem a sombra da dúvida de estar amando. Porque não se arrepiar por causa de uma peça do destino, o que foi que vi em um sorriso que refletiu o meu olhar?! Esta sóbrio é um chaga agora, olhando da janela e vendo que tudo dará na mesma estrada, é um tipo de mágica.
Felipe Sousa Cerqueira.
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