quinta-feira, 5 de maio de 2011

Um olhar, um sorriso

Um olhar desesperado, olha pra qualquer coisa que é meiga e singela, e vidra. Com a ilusão maquiada em acerto, aquele olhar vidrou num ser, um ser impossível de caracterizar. Foi tão doce o momento, tão puro, e a tua vontade era tão grande de encontrar algo esquecido em si, que falhou-se, o olhar. E o sorriso, na verdade era outro, trabalhado outrora, nas noites solitárias, belas, frias, sóbrias.
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Então, virou vento, era uma só lembrança, de um sorriso escondido em outro. E as noites já não são mais tão carregadas de solidão, há esperança, esta sempre espera com um sorriso, o seu. Aquele que não foi percebido de imediato, e sim deixado de lado por um simples pesar de ser igual ao meu olhar. Quando a doce madrugada rural invadia o sonho viria ele atormentar-me, com sua sonoridade simples, que me fez tocar de novo como nunca antes, que me trouxe a inspiração de amador, a qual busquei a muitas decepções atrás. Decepção, aliás, foi embora, assassinada pelo teu sorriso. Por que chegastes tão agora, vestida de anjo, só para o meu consolo. Me recriando, involuntariamente dentro desse sorriso, tão triste quanto o meu olhar, calibrando a minha esperança, de um dia sentir chegar aquele amor, de anjo, de dona, de tudo que já vivi e desejei viver. Sinto-me a poesia que escrevo, a música que toco, as palavras que pronuncio, o ar que respiro, o olhar que lanço. Perdido em sentimento impossível, retorno ao leito do mesmo, deito-me, choro, balbucio, sou eu, no espelho olhando o seu sorriso, preso, no meu olhar.

Felipe Sousa Cerqueira.

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