domingo, 15 de maio de 2011

E o que era areia fez-se mar. De todo o coração, ferido, comum, igual. Fez-se um espelho, onde a luz virá luzir a eternidade, essa nossa, escondida a tanto em nós mesmos. A luz não é um mero raio que aparece a esses apaixonados, é imposta, involuntária. Coisa que nunca acreditou-se anteriormente era que essa luz pudesse ser assim, pura, infinitamente breve, de uma calmaria tão confortável. E assim, dela, fez-se o ar, a claridade, a água molhando a areia dele, limpando a praia, com essa paciência de seguir meticulosamente cada passo de criar o sentimento. Cada detalhe embutido nesse ciclo é mínimo. Dela o ar, a luz, a água. Dele os cabelos, a pele, a areia. De ambos, o espelho, pois um é a cópia do outro, o lado positivo e negativo, o ing e iang, o claro e escuro, o mel e fel- um astro e o universo. Nada é mais tão vago, o destino voltou das férias, e trouxe na sacola: ela(unhas, pés, mãos, boca-a mais linda, mais desenhada- os olhos), ele(as palavras, a voz, o olhar de esperança). Então fez-se mar, como a poesia que escrevera sem saber por que, sem saber pra quem, pra ela, para ele, que sempre esteve ali, imagem e semelhança. E o que não se contam são os mínimos detalhes, as coisas poucas, simples, de que são feito os momentos, e são essas que ficam na lembrança, dela sai as palavras que serão guardadas cada uma como um grão de areia, nessa imensa praia.

Felipe Sousa Cerqueira.

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