domingo, 7 de fevereiro de 2010

Rua da Lembrança [4]

Tudo era cinza! Estava sentado na varanda, onde a viu pela primeira vez, não sabia quando iria vê-la novamente, lembrou-se do som do bandolim, dos olhos, do vestido, estes pequenos detalhes sempre tornaram-se cúmplices da saudade, então apareceu de repente, a dor! Dor de esconder um sentimento, coisa que nunca tinha feito antes. Sempre era impulsionado a amar,
impulsionado pelo tempo, pelo acaso, agora era induzido a esperar, "pelo quê?" Não sabia ao certo, não sabia nem se estava apaixonado de verdade, "mas aquela saudade?!" Algo novo acontecia, sentia o cheiro da Sinhá em toda a Rua, até nos lugares onde nem a havia levado.
Sinházinha, se você me der uma chance para que eu te mostre quem eu sou, para que eu possa construir uma lembrança alegre nessa minha rua de poesia morta!
A tarde, os pensamentos de saudade, a confusão do sentimento, tudo, era propício para aquele pensamento tolo, é aquele instante- quando o sentimento se torna tão forte que transborda, em lágrimas ou em palavras- tolo! O nosso herói buscou no fundo da alma derrotada em saudades, o som daquela canção, era tudo o que tinha, além do cinza.

Felipe Sousa Cerqueira.

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