Tudo era cinza! Estava sentado na varanda, onde a viu pela primeira vez, não sabia quando iria vê-la novamente, lembrou-se do som do bandolim, dos olhos, do vestido, estes pequenos detalhes sempre tornaram-se cúmplices da saudade, então apareceu de repente, a dor! Dor de esconder um sentimento, coisa que nunca tinha feito antes. Sempre era impulsionado a amar,
impulsionado pelo tempo, pelo acaso, agora era induzido a esperar, "pelo quê?" Não sabia ao certo, não sabia nem se estava apaixonado de verdade, "mas aquela saudade?!" Algo novo acontecia, sentia o cheiro da Sinhá em toda a Rua, até nos lugares onde nem a havia levado.
-Ó Sinházinha, se você me der uma chance para que eu te mostre quem eu sou, para que eu possa construir uma lembrança alegre nessa minha rua de poesia morta!
A tarde, os pensamentos de saudade, a confusão do sentimento, tudo, era propício para aquele pensamento tolo, é aquele instante- quando o sentimento se torna tão forte que transborda, em lágrimas ou em palavras- tolo! O nosso herói buscou no fundo da alma derrotada em saudades, o som daquela canção, era tudo o que tinha, além do cinza.
Felipe Sousa Cerqueira.
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