sexta-feira, 16 de julho de 2010

Confissão

-Como pôde fazer isso comigo?! Por que ela? Eu não entendo!
Enquanto ela reclamava, com a voz aguda e trêmula da separação(um mês). Ele a observava com olhar de medida, com uma alto estima assustadoramente superior, que esmagava qualquer sentimento, ela já não o conhecia, ou ao menos não queria acreditar em tal. Ele era mais forte, ou, pelo menos havia se tornado. E num suspiro disse com tamanha frieza que congelou qualquer possibilidade de não haver ciumes da parte dela:
-Eu simplesmente fiz, deu vontade, e não foi por más intenções. Você não me esqueceu?
Essa era sua grande dúvida, era tudo que queria saber. O que tinha de objetivo, ela tinha de mistério.
-Só pergunto por perguntar, eu só não entendi por que ela, assim do nada?
Havia nela agora uma ar de superioridade, de querer vencer a discurção.
-Foi por falta do que fazer, ela é bonita, eu resolvi escrever, a situação foi engraçada.
"Ela é bonita..." houve uma pausa. No fim, as intenções dele eram de conseguir uma prova, se não fosse por palavras, que fosse por ciúmes. Estava conseguindo!
-As minha amigas...-por que as mulheres apelam para as amigas?!- dizem que ela é feia...
-Mas foi a única que apoiou as minhas opiniões, eu tinha que agradecer.
-Agora é você diz que foi por agradecimento? Ela não é bonita?-olha o ciúme mulher- Eu quero uma explicação lógica, porque você escreveu para ela?
-Tá bom! Precisava de uma inspiração, a vi! E pronto, aconteceu! Listras! Foi isso, saiu bom o texto não?
-Não sei! Não foi para mim!
-Você está com ciúmes, amorzinho?
-Não me chame assim, você sabe que não gosto - fez questão de ressaltar o pronome, assim como ele fez questão do adjetivo - e eu não estou com ciúmes.
Acabava de se entregar pelo olhar, que ela já conhecia fazia um ano, um olhar que pede carinho, que pede colo e ombro.
-Sabe, eu vou embora!
Levantou-se e saiu, e ela ficou, a mercê de qualquer sentimento insolente que viesse afligir. Exitou em olhar para traz, e lembrou de quando quis voltar para fazer um cena de filme com sua amada, mas aquele era o fim, confinado, pelo ciúme, a confissão, que havia conseguido com sua mente de apaixonado racional.

Felipe Sousa Cerqueira.

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