Havia um garoto, seu nome era Ego. Uma criatura esguia, branca como a neve, e de olhos claros. Mas Ego amava! Não a visinha: a morena bonita, dotada de um quadril bem distribuido ao corpo firme e bonito, da pele cor de caramelo. Não por ela. Nem pela menina de sua classe, que considerava a mais linda de todas: tinha a pele alva como o luar do paraíso atômico, carregava no olhar o brilho da felicidade mansa, o sorriso lapidado como um diamante, cabelos encaracolados e castanhos como o mesmo caramelo da anterior. Ego amava o espelho, por que só nele podia sentir-se verdadeiro, não precisava fingir romantismo, nem lágrimas, aquilo para ele era real, era um retrato do seu ego.
Tudo era tão igual para Ego, mas houve um dia, em que tudo mudou, houve um alguem, uma mulher. E então tudo mudou! Ego não era mais o mesmo, de verdade no espelho, era uma cópia barateada por um ridículo sentimento, que, segundo ele, não existia. Via-se em plena exelencia beleza, e então era só acontecer, só pensar nela, naquela tarde, noite, manhã que passavam juntos, e seu rosto corava, de vergonha de si próprio, de vergonha da sua verdade, do seu ego. Ego estava amando.
Então o mundo( e o ego) de Ego desmoronava, toda vez que a via, tinha que dividir a beleza da sua felicidade com alguém e isso o deixava furioso, e ao mesmo tempo tímido de sinceridade por conta do seu sentimento. Ego não sabia o que fazer, onde estava o seu ego assassino que convencia sempre as mulheres?! Chegava perto dela e não conseguia articular palavra alguma, e sempre se perguntava: "Meu Deus o que aconteceu com o meu ego?". Não havia sumido, havia se tornado inútil, os encontros com ela eram sempre tão brilhantes que Ego se esquecia que tinha um ego, tudo era ela, tudo era estar ali! Mas o problema vinha depois, quando estava só, tambem não tinha ego, só tinha ela, em mente.
Quando tudo se parecia perdido para Ego e o seu ego, aconteceu! O beijo! E alí Ego viu onde havia depositado o seu ego, o seu amor por si, Ego havia deixado o seu ego no amor por ela. Mas, querendo ou não, ainda era Ego, mesmo que longe dela, fosse só um nome para ele.
Felipe Sousa Cerqueira.
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