segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pensamentos

Naquele dia, os dois haviam conversado parcialmente, ele não disse tudo que tinha a dizer, e ela não ouvia tudo o que queria ouvir, ou talvez nada. Quando chegou em casa, o rapaz, num instante sozinho, sentiu a cabeça ferver com os pensamentos antigos que traziam o nome dela. Talvez aquilo fosse irremediavel. Levantou, fez o pouco da barba que restava(pensando nela), lavou os pratos, tudo à distração cobrir-lhe aquilo tudo. Sentou no sofá, inquieto, pegou um livro, abriu, não conseguiu ler mais de dois parágrafos, os pensamentos ávidos vinham como fios de memórias e juras na sua mente, até ali - julgava - insana.
Saiu do sofá decidido a ir vê-la, sem ao menos avisar, era a primeira vez que fazia isso, uma visita surpresa! Entrou no chuveiro, usou o seu cheiro, pegou o filme dela que estava em sua mão, e então seguiu. Lá, tocou a sirene, esperou não mais que cinco minutos(que para ele pareciam mais de vinte), a impaciencia romantica começou a entrar nos seus pensamentos, que até ali só falavam dela. Sentiu o chamuscar da vontade apagar aos pés da espera, e voltou para casa, sem pensar em mais nada, e, com o filme na mão.

Felipe Sousa Cerqueira

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