segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O convite

Aquele rapaz alto e robusto já não era mais o mesmo. Sempre que algo o aflingia desistia de tudo, se trancava no quarto e devorava livros, até que o sono, silencioso, o tomasse por completo. Esperava o sono, tal como alguem que esperava a morte.
Em uma tarde, cinzenta e úmida, abriu a correspondencia, e viu, o brilho da sua agonia passava a ser material. Era algo brilhoso que levava o nome da sua mãe, o seu fora subescrito apenas como sobre nome. A principio era evidente a sua curiosidade para ver o interior do envelope. Abriu. Leu tudo o que achava clichê. Mas, aquilo era bonito, sentou-se no canto da sala, ao mesmo tempo em que abria a outra face do cartão, e então viu, a frase que sempre dizia a ELA. Ficou atônito, o seu extase durou um minuto e meio, o que depois virou mais desgosto.
Fechou o convite com cuidado, como se pegasse as mãos da amada, e o pôs, com o mesmo cuidado, em cima da mesa. Entrou no quarto, deitou na cama, pegou um livro e colocou-se, aflito, a espera do sono.
Felipe Sousa Cerqueira.

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